Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira , 17 de maio de 2019.

A sogra, ou a soga?



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Carlos Alberto Bencke, advogado.

A ação de usucapião ajuizada no foro de cidade próxima ao litoral norte gaúcho se referia a uma pequena de terra, que passou a ser valiosa porque a cidade cresceu para aqueles lados. Casas enormes foram construídas e ficou aquele terreno vago. Alguém se interessou, cresceu o olho e o advogado relatou, na petição inicial, que o autor ocupava a área há tantos anos e que “lá colocava sempre, todos os dias, um animal para pastar”.

Contestada a ação, foi marcada a audiência de instrução, sob a presidência de juíza bem jovem, tipicamente urbana, criada na cidade grande, formada em universidade particular e recém aprovada no concurso.

Começaram a desfilar as testemunhas do autor da ação que tinha de comprovar o uso da área, até que chegou a vez de um índio acostumado às lides campeiras, que também se expressava à moda lá de fora.

Na época usava-se ainda a forma de audiência em que a pergunta era feita ao(à) juiz(a), depois transmitida à testemunha, que respondia e o(a) magistrado(a) reduzia a termo. Em síntese: o juiz ditava para a secretária da audiência com suas palavras o que entendera que dissera a testemunha.

Houve então a inevitável pergunta para o guasca: “O seu fulano usava a área?”.

A resposta positiva do índio veio acompanhada de uma frase que surpreendeu a jovem magistrada: “Ele amarrava o animal pela soga e deixava lá pastando”.

A novel magistrada não conteve o riso, mas rapidamente recompôs-se e perguntou: “Pela sogra?”

Foi preciso a intervenção dos experientes advogados que participavam da audiência para explicar que soga era uma espécie de corda para amarrar animais, termo muito usado no interior gaúcho.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

O Advogado Fura-Colchão

 

O Advogado Fura-Colchão

Doutor Arencéfalo é o apelido de um advogado muito conceituado. O cognome é uma conjunção de ´Arbelino´, nome do pai dele e ´Encéfalo´, parte do corpo humano que controla o organismo. De repente, a surpresa na comarca: a elegante esposa pede o divórcio. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

As duas Têmis

 

As duas Têmis

No curso preparatório a concursos para ingresso na magistratura, um dos professores resolve aferir os conhecimentos gerais e a capacidade redacional dos alunos. Então entrega a cada um uma folha de papel A-4. Pede-lhes que ”escrevam de 20 a 30 linhas sobre Têmis”. Um dos discípulos sustenta e comprova a existência de uma divindade grega e de uma personagem terrena que não gostava de processos. 

Charge de Gerson Kauer

Depois da juizite, o aprendizado

 

Depois da juizite, o aprendizado

Sentado para depoimento pessoal está o autor de uma ação de indenização. Ele cruza as pernas e está com os dois primeiros botões de sua camisa abertos. Pela fenda percebe-se alguns pelos esbranquiçados e uma medalha pequena, pendendo da correntinha de ouro. O magistrado escorrega no elementar, ao ordenar em tom impositivo de extrema juizite: “Descruze as pernas e feche sua camisa! O senhor está em um fórum na presença de um juiz”. Então, vem a surpreendente reação, do professor com 60 de idade.

Charge de Gerson Kauer

Os ricos mocassins do ministro

 

Os ricos mocassins do ministro

Não é Primeiro de Abril, mas quase... Um passageiro vip desistiu da prerrogativa de embarcar no terminal 2 do aeroporto de Brasília, local por onde acessam as autoridades. Talvez querendo medir sua popularidade, o notório calvo misturou-se aos mortais e foi direto ao terminal 1 .Foi então que a vigilante máquina da Polícia Federal bipou...

Charge de Gerson Kauer

Virem-se e estudem!

 

Virem-se e estudem!

Três moçoilas inteligentes terminaram o segundo grau no Interior e passaram em universidade particular na Capital, só que as respectivas famílias não conseguiriam pagar. Resolutas, as três combinaram que iriam “se virar” para quitar as mensalidades. Abriram então uma casa de diversões para o público masculino adulto. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

Que ´m´!

 

Que ´m´!

O despacho judicial pretendia indeferir uma “MERA” revogação da liminar. Mas por erro de digitação – ou algum atropelo do verificador ortográfico – a palavra terminou ganhando, justo em seu meio, um inoportuno acréscimo da consoante ´d´.  Então virou “m----“.