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Edição de terça-feira , 11 de dezembro de 2018.

Afastada a contagem de prazo iniciada da intimação de advogada que fez carga rápida dos autos



Em julgamento de embargos de divergência, na semana passada, a Corte Especial do STJ afastou a intempestividade de apelação declarada pela 4ª Turma em processo no qual o prazo do recurso foi contado a partir de carga rápida realizada por advogada que não estava habilitada nos autos para receber intimações.

A carga rápida é utilizada pelos advogados para retirada temporária do processo do cartório com o objetivo de, por exemplo, obter cópia dos autos.

No entendimento da Corte Especial, como a advogada que tirou o processo não estava habilitada para receber intimação, a posterior disponibilização da sentença em nome dos advogados formalmente habilitados é que constituiu o marco inicial para a contagem do prazo recursal.

Com o acolhimento dos embargos de divergência, por maioria de votos, o TJ-SP deverá analisar apelação em ação na qual o jornalista Paulo Henrique Amorim obteve, em primeiro grau, direito a indenização de 100 salários mínimos por supostos danos morais cometidos pelo advogado Nélio Roberto Seidl Machado, que teria dirigido ofensas públicas contra ele.

O TJ-SP havia reconhecido a tempestividade da apelação por entender que a parte ré não poderia ser prejudicada em razão de uma dupla intimação – da carga e da posterior publicação oficial –, de modo que a carga rápida não serviria como marco temporal inicial.

Entretanto, a 4ª Turma do STJ reformou a decisão do tribunal paulista com base na orientação jurisprudencial do tribunal superior no sentido de que a carga dos autos pelo advogado da parte, antes de sua intimação por meio de publicação na imprensa oficial, implica ciência inequívoca da decisão, contando-se a partir desse marco o prazo para a interposição do recurso cabível.

Autor do voto vencedor na corte, o ministro Luis Felipe Salomão destacou que, ao apreciar embargos de divergência, o STJ tem abrandado o rigor da exigência de similitude fática entre os casos confrontados quando a divergência envolve a aplicação de regra de direito processual, “desde que a diferença na questão de direito material não tenha o condão de alterar a solução jurídica aplicada à lide”.

Conforme fixado no precedente julgamento do EREsp nº 1.080.694, Salomão considerou que o ponto relevante, apto a motivar o cabimento dos embargos de divergência, é que a mesma questão processual, em contexto semelhante, tenha recebido tratamento diferente.

No caso do recurso agora julgado, o ministro ressaltou que a ação possui singularidades que deveriam ter sido analisadas: a exemplo da existência de pedido de intimação exclusiva em nome dos advogados indicados na petição inicial, da assinatura da certidão de carga por advogada distinta dos patronos arrolados e da publicação posterior da sentença.

Salomão lembrou que o STJ possui o entendimento de que constitui nulidade relativa a intimação realizada em nome de advogado diverso daqueles indicados, de forma prévia e expressa, pelas partes. O ministro também apontou que, conforme fixado pelo artigo 224 do CPC de 1973, a contagem do prazo terá início no primeiro dia útil após o dia da publicação da decisão.

O julgamento concluiu ser “razoável o entendimento de que, a despeito de ter sido realizada carga dos autos antes da publicação da sentença, tal ato processual foi implementado por procurador diverso daqueles constantes no pedido de intimação exclusiva, fazendo pressupor que a disponibilização posterior do decisum – dessa feita, em nome dos causídicos signatários da petição inicial – constituiria o termo a quo do prazo recursal”.

A decisão determina que o TJ-SP analise o recurso de apelação. (EREsp nº 1316051).


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