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Edição de sexta-feira , 14 de dezembro de 2018.

Quem é a juíza – mais dura do que Moro – que assumiu a Lava Jato



Fotos: TRF-4 (Divulgação) e Camera Press

Imagem da Matéria

A juíza Gabriela Hardt (E) vigorosa condutora da audiência do dia 14 e Lula (D) num anterior momento de aparente preocupação

Com o afastamento de Sérgio Moro dos processos da Lava Jato, a operação judicial está sendo comandada, temporariamente, pela juíza Gabriela Hardt - substituta habitual da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná. Ela ficará nessa situação até que seja escolhido um novo juiz titular - ela não poderá assumir em definitivo.

A indicação do novo (a) titular da vara será de responsabilidade do TRF-4. A escolha será entre os juízes mais antigos da região Sul do país que se dispuserem a ocupar a vaga. No total, são 223 magistrados federais titulares, na base do TRF-4.

Gabriela Hardt é paranaense, tem 42 anos, nascida em Curitiba, mas cresceu em São Mateus do Sul, a 150 quilômetros de Curitiba. Ali o pai dela trabalhou, como engenheiro químico, durante 20 anos, em uma unidade da Petrobras que fica na cidade. Ela é formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o juiz Sérgio Moro dava aulas.

Gabriela prestou concurso para a Justiça Federal, em 2007, e foi nomeada juíza em 2009 sendo classificada em Paranaguá (PR).

Em 2014, ela foi nomeada juíza substituta na 13ª Vara Federal de Curitiba e assumia os trabalhos da Lava Jato quando o juiz Sergio Moro saía de férias. Em uma dessas ocasiões, em maio de 2018, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu. Este, na sequência, escapou do cárcere graças a um habeas corpus concedido, por maioria, pela 2ª Turma do STF.

A juíza é atleta, começou a nadar ainda menina e atualmente compete em provas de maratonas aquáticas - nadando cinco quilômetros em águas abertas.

Outros detalhes

 Gabriela se tornou juíza aos 34 de idade, depois de uma carreira de cerca de nove anos como assistente jurídica na Justiça Federal do Paraná. Antes de optar pelo Direito, cursou Engenharia Química por dois anos, mas desistiu de seguir a mesma carreira do pai.

 Já casada e mãe de duas filhas, teve que separar a família - o marido ficou em Curitiba com uma das crianças e ela foi, com a outra, atender a jurisdição federal em Paranaguá e Umuarama. Em 2014, classificou-se como substituta em Curitiba.

 Ela substituiu Moro pela primeira vez em janeiro de 2015, quando determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal da JD Consultoria, empresa do ex-ministro José Dirceu. A medida identificou pagamentos feitos ao ex-ministro pelas empreiteiras UTC, Galvão Engenharia e OAS.

 Na condição de substituta, ficou ainda responsável por todos os processos criminais da 13ª Vara que não eram referentes à Lava-Jato.

 Mas Gabriela também reduziu - de R$ 1 milhão para R$ 200 mil - a fiança do ex-tesoureiro do partido, Paulo Ferreira, e fundamentou que lhe parecia “claro que ele não tinha condições de pagar”. Ferreira chegara a oferecer um Citroen C4 como parte do pagamento.

 Em maio passado, a juíza também teve uma decisão parcialmente reformada. Ela dera autorização para que a defesa do operador Rodrigo Tacla Duran, foragido no exterior, tivesse acesso aos documentos do pedido de cooperação internacional no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação da Secretaria Nacional de Justiça e Cidadania. Cinco dias depois, Moro retomou o processo e reformou a decisão.

 Em julho deste ano, Moro estava em férias e Gabriela estava à frente da 13ª Vara quando o desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, numa decisão polêmica, mandou soltar Lula, deferindo um habeas corpus pedido por advogados do PT. Antes que ela decidisse pelo cumprimento, ou não, da ordem do desembargador plantonista, houve a reação rápida de Moro, que interferiu no processo e conseguiu impedir que a Polícia Federal cumprisse a decisão de Favreto (ocupante de vaga destinada ao quinto constitucional).

 Num evento em São Paulo, poucos dias depois, Moro ironizou as críticas à sua intervenção e afirmou que “juízes são criticados por terem férias longas e, quando trabalha durante as férias, também recebe críticas”.

Escolta e segurança

No tempo em que decidia as execuções de sentenças condenatórias de criminosos, entre 2003 e 2004, Gabriela chegou a andar permanentemente com carro blindado e escolta.

A natação, além de ser seu esporte - que a faz ter músculos definidos e braços torneados - é também sua "terapia", como já confessou nas redes sociais. "Meu esporte, minha terapia, que ainda por cima me fez conhecer pessoas incríveis e grandes amizades!", publicou certa vez.


Comentários

Jose Mario De Boni - Advogado 16.11.18 | 10:24:50
É interessante notar que na tradução literal do nome de juíza, HARDT, que parece vir da língua norueguesa, tem o significado de DURO ou DIFÍCIL.
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