Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019.

Quando o suposto amor vira negócio



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O Newton e a Jacilene, ele estudante de Filosofia, ela vendedora (nas horas vagas), estavam “ficando”. Tinham, se conhecido num bar da moda, mas a relação ainda não alcançara profundida intimidade. Numa sexta, os dois combinaram a ida a um motel. E foram! Presume-se que os objetivos tenham sido alcançados.

Na manhã de sábado, na hora de irem embora, o Newton embicou seu Ônix em direção à porta da garagem, passou direto pelo guichê do pagamento, engatou uma primeira, derrubou o portão e saiu desabalado sem acertar a conta. Pelas placas do carro foi possível localizar o cara-de-pau, contra quem o dono do motel logo ajuizou ação judicial.

O juiz abriu a audiência discorrendo sobre conceitos de bom-caratismo. E perguntou ao Newton se ele “não sentia vergonha pelo que fez”.

- Doutor, até agora estou encabulado, sou uma pessoa de bem, estudioso, nunca me envolvi com polícia e justiça... – o réu explicou discursivo.

O magistrado atalhou:

- Conte, então, o que aconteceu.

Olhando para baixo, o futuro filósofo relatou uma história comovente: “Eu pensava que estava começando a namorar a Jacilene. Na hora em que dei a partida no carro para sairmos do motel, ela me surpreendeu. Exigiu que, antes da saída, eu teria que acertar o cachê dela.

Fez-se silêncio na sala, mas logo o Newton arrematou: “Tive um acesso de fúria, sacudi a mulher, quase dei uma ´bolacha´ nela, acelerei o carro descontrolado, e fiz a bobagem que me trouxe aqui, pela primeira vez em um foro”.

O juiz aparentou compaixão. E o dono do motel, comovido, aceitou parcelar, em quatro vezes, o valor dos reparos e arrematou com uma benesse extra:

- A diária da suíte fica como cortesia da casa.

O acordo foi homologado. O Newton já pagou a primeira parcela. A Jacilene tem sido vista nos bares da vida de uma das grandes cidades gaúchas.

E filosoficamente não se fala mais nisso.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Gerson Kauer

De grosso calibre

 

De grosso calibre

No prédio com vista para o Guaíba, em que atuam lidadores do direito, chega uma caixa com “uma coisa estranha” endereçada a uma das doutoras da casa. Seria um “bilau” de brinquedo? O decano deu a solução na reunião em que participaram as cabeças mais lúcidas da Casa: “Temos que rever nossos conceitos”.

Charge de Gerson Kauer

O namorado do juiz

 

O namorado do juiz

Na comarca de entrância intermediária, um dos juízes é gay. Seu então parceiro é um técnico em informática de uma grande empresa agro comercial. Afinados, os dois homossexuais têm apenas uma única grande diferença: a questão salarial. De repente, há um tombo financeiro.

Chargista Kauer

A “Menina Veneno”

 

A “Menina Veneno”

Bem vivido, bom de bolso graças à consistente aposentadoria recheada de interessantes penduricalhos, o destacado ex-operador jurídico, viúvo, boa pinta -  se é que isso é possível para um cidadão com 70 de idade -  afinal sai com uma moça escultural, bem malhada, 24 anos.  De comum, entre eles, só o Direito.

Charge de Gerson Kauer

  O enterro da sogra que não morreu

 

O enterro da sogra que não morreu

A inusitada abordagem no plantão judicial forense. Como autorizar o funeral de uma provecta idosa, de aparência taciturna, que – como manifestação de última vontade - deseja ser sepultada no sítio em que reside? O texto é de Dirnei Bock Hendler, servidor judicial estadual (RS)

Charge de Gerson Kauer

A fama do João Grande

 

A fama do João Grande

Era uma ação penal contra um homem que estaria ofendendo e ameaçando a ex-esposa. As desavenças ocorriam porque ela postava, nas redes sociais, que o ex-marido vivia sempre na casa do João Grande, famoso na cidade gaúcha por ser bem-dotado.

Charge de Gerson Kauer

O gaúcho caloteiro

 

O gaúcho caloteiro

A difícil intimação de um fazendeiro, já conhecido no meio forense, como o Senhor Caloteiro. O êxito da diligência só acontece porque, no esconderijo, o devedor é acometido de coceira causada por urtiga.