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Edição de terça-feira , 16 de abril de 2019.
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Por entre os dedos da mão



Lamentavelmente encerraremos mais um período de gestão no Sport Club Internacional sem a conquista de título. Deixamos passar o campeonato da série B, um Campeonato Brasileiro de 2018 e a Copa do Brasil.

Com certeza, alguns dirão que a classificação à Libertadores de 2019 é uma grande conquista. Não penso assim.

Como escrevi anteriormente, a gestão Píffero foi um retumbante fracasso. A gestão que lhe sucedeu e que agora disputa a reeleição embrenhou-se em uma série de trapalhadas. Não foi por acaso que no primeiro semestre de 2017 nos deparamos com a ausência de um esquema de jogo definido, falta de convicção relativamente ao treinador contratado e que fora apresentado como um verdadeiro estudioso do futebol e grande artífice de esquemas táticos.

Qual nada! Logo, passados alguns meses foi despedido, sendo substituído pelo não menos atrapalhado Guto Ferreira. Após, encerrado o campeonato da série B e iniciada a temporada de 2019 foi apresentado como técnico o Odair, aquele que já estava no Internacional quando todos os outros vieram para solucionar problema de resultado. A solução estava em casa. Da mesma forma, com certeza alguns dirão que iniciar a competição da série B com o Odair não seria garantia de nada. É óbvio que não.

Entretanto, tenho a certeza que o resultado final na competição da série B e, até mesmo do Gauchão de 2018 seriam melhores que aqueles que vieram pelas mãos do Zago e do Guto Ferreira.

Tenho uma certeza maior ainda, hoje estaríamos em melhores condições que estamos, pois o Odair já teria acumulado experiência para enfrentar o Brasileirão de 2019. O primeiro semestre de 2018 não teria sido tão vexatório como foi. Houve um descriterioso e infrutífero número de contratação de atletas, alguns sequer fardaram e entraram em campo.

Bem, anteriormente também escrevi que a melhora havida no segundo semestre de 2018 gerava uma responsabilidade maior, eis que alimentava a expectativa do nosso povo em reconquistar o campeonato brasileiro.

Palmas a todos que souberam articular a virada, acreditando que o maior responsável tenha sido o Rodrigo Caetano. Apesar disso, revelamos uma diretoria despreparada, em especial a do futebol para enfrentar grandes embates, grandes aspirações e responsabilidades.

O sonho e a esperança se transformaram em melado! Sempre soube acerca da inépcia de liderança diretiva de nosso mandatário máximo de futebol. Se alguém tem dúvida que passe a escutá-lo nas entrevistas pós jogos. É mais um atrapalhado e que não oferece a menor segurança perante a torcida e que está comandando o vestiário do Internacional.

Mas de uns tempos pra cá, o cargo de vice-presidente de futebol passou a ser “vitalício”. Antes disso, quando a coisa estava mal, a receita era uma só: caíam o técnico e o dirigente. Agora, mesmo diante de resultados insatisfatórios, inconstantes, deixando escapar por detalhe tão importante título, permanece colado no cargo.

Quanto ao presidente do clube, nem se fale. Mudou a sua postura, assumindo uma maior arrogância antes da hora. Não poupou esforços em adotar medidas nitidamente populistas e demagógicas. Abriu os portões do estádio, esquecendo-se de fechar, antes disso, a porta do vestiário para que o seu pupilo pudesse exercer a liderança jamais tida.

Deu no que deu, mais uma vez estamos terminando o ano sem um time definido, com várias carências e sem encaminhamentos concretos.

A preocupação da nossa diretoria tem sido nitidamente política-eleitoreira. Fazem de tudo para tirar proveito eleitoral do que é obrigação pífia.

Ora, reduzir o Sport Club Internacional a condição ufanista de comemorar vagas é desconhecer a verdadeira dimensão do nosso Inter.

Hoje mesmo testemunhei um pretenso popular e competente narrador/comentarista/apresentador, descaradamente puxar a brasa para o assado da direção. Isso é uma vergonha. Isso implica na mitigação da nossa autonomia e independência.

A lógica desse volumoso narrador/comentarista é a de que foi um feito inigualável para a situação garantir vaga na Libertadores.

Longe de mim como colorado agourar, secar, etc. O que mais quero é conquistar títulos independente de quem esteja dirigindo o clube. Lamento dizer, essa lógica é imperfeita pois a mera conquista de vaga não revela competência diretiva, especialmente para quem, como nós, estivemos tão próximos do Palmeiras, sendo que tropeçamos diante de equipes de irrelevante expressão no atual momento do campeonato.

Se de um lado os manipuladores da opinião pública, sem que saibamos quais os interesses ocultos predominam, fazem campanha aberta para a situação, de outro torna-se imperioso que o torcedor, em especial aqueles que elegerão a nova diretoria tenham consciência de que com essa turma não iremos muito longe na Libertadores. Em dois anos, não formaram um time confiável, não revelaram um treinador com a necessária segurança técnica e nem mostraram aptidão para exigirem capacidade reativa a boa parte de nossos atletas.

Mas não precisa ser “bidu”, como dizia meu pai, para enxergar que logo ali adiante tudo se repetirá. A arrogância, incompetência e politicagem são ingredientes não salutares ao esporte. Não podemos permitir que o que estava tão próximo escape, por detalhes frutos da incompetência diretiva, por entre os dedos das nossas mãos como areia.

Chega de melo, chega de melado e chega de melaço!!!

Quando aprenderemos que os resultados positivos almejados só são possíveis quando há ATITUDE, MADURA E SÉRIA?


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Sergio Araujo - Aposentado 24.11.18 | 22:14:44

Em tempo: onde se lê no comentário feito por mim, "edição nº 60 de 7/2/2001", leia-se de 7/2/2011.

Sergio Araujo - Aposentado 23.11.18 | 15:47:20
A propósito do artigo do Sr. Siegmann acima transcrito, lembrei-me do que referido articulista respondera à Revista do Inter ,edição nº 60 de 7/2/2001, às páginas 18/19: .."futebol é medido por conquistas.Mas isso não depende somente do vice de futebol, e sim de um conjunto de circunstâncias e situações que levem às vitórias em campo.Jamais poderia prometer conquistas de títulos Seria uma irresponsabilidade". O que mudou de lá para cá Sr. Roberto?
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