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Edição de terça-feira, 19 de fevereiro de 2019.
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Brumadinho: crônica de uma morte anunciada



Jornal de Brasília – Chargista Baggi

Imagem da Matéria

PONTO UM:

Nos últimos dias as notícias sobre Brumadinho tomam conta de qualquer noticiário, meio de comunicação, redes sociais. E não poderia ser diferente. Lembro, embora nada parecido, quando em viagem à Áustria visitei o campo de concentração Mauthausen, à frente do qual um sobrevivente, talvez já na casa dos 80 anos, lá estava, para falar com qualquer visitante sobre a vergonha humana que foi o holocausto e como ele e seus familiares sofreram suas consequências.

Diariamente ele e outros se revezavam nesta função.

O objetivo? Ajudar para que a humanidade não esquecesse o que aconteceu. Só não esquecendo as barbaridades que o homem provocou ao longo dos séculos pode-se, quiçá, não repeti-las. No que me toca, devemos falar sobre Brumadinho e Mariana todos os dias de nossas vidas. Nós e a mídia. Sim, porque Brumadinho só aconteceu porque esquecemos Mariana. Todos: cidadãos, órgãos e autoridades públicas, empresários, usuários do sistema de mineração, etc.

PONTO DOIS:

Mineração é atividade de exploração de riquezas minerais existentes no planeta e, sem dúvida, indispensável à manutenção do nível de vida e avanço das sociedades modernas, respondendo pela criação de vagas de trabalho e circulação de riquezas.

Mas também, inegável, provoca significativos impactos negativos ao meio ambiente, flora e fauna, causando eventos devastadores para a vida humana e para o planeta. A questão não é demonizar a atividade, mas exigir de quem tem o bônus – e que compreende valores astronômicos - assuma o ônus, investindo em pesquisa e desenvolvendo métodos de exploração menos agressivos e perigosos.

Se para se alcançar esse equilíbrio – não só para barragens futuras, mas principalmente para as existentes e já catalogadas pelos respectivos graus de risco – necessária a interrupção temporária das atividades exploradoras, hipótese ventilada há poucos dias pelo presidente da Vale do Rio Doce, uma das maiores mineradoras do mundo, que se pague esse preço antes que sobrevenha a terceira, a quarta, a quinta rebentação.

Que o silêncio, a morosidade, a impunidade, a burocracia e a incompetência no caso de Mariana não se repitam em Brumadinho, crônica de uma morte anunciada e que pode se repetir.


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