Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 16 de abril de 2019.
https://espacovital.com.br/images/smj.jpg

Os dois votos anulados: um era do velho Renan; o outro, do novo Renan



Chargista Clayton – Tribuna da Internet

Imagem da Matéria

 80 + 1 = 82

A “rádio-corredor” do Conselho Federal da OAB divulgou ontem a explicação para o voto a mais que apareceu na primeira apuração da eleição de sábado: “Foram os dois Renans que votaram: o velho e o novo”.

Só se fala nisso.

 Os 52 votos que foram sumindo

Mesmo a experiência política não basta para prever certos resultados: na noite de sexta-feira (dia 1º), Renan Calheiros dava como certos 52 votos para sua candidatura à presidência do Senado. Deu no que deu...

A propósito, Renan fez no domingo uma previsão a um interlocutor próximo: “Davi Alcolumbre não tem pulso e nem experiência necessárias para controlar o Senado”.

 O ganhador

O novo presidente do Senado, David Samuel Alcolumbre Tobelem, nascido em Macapá (AP) em 19 de junho de 1977, exerceu a mercancia como primeira profissão. Em outubro de 2018, com mais quatro anos de Senado garantidos, ele concorreu ao governo do Amapá, mas não chegou ao segundo turno. Terminou em terceiro, com 94 mil votos (23,75% do total).

Davi foi candidato ao Senado em 2014, sendo eleito com 36,26% dos votos. É um dos 13 senadores que não possuem nível superior.

Filho de um mecânico e de uma empresária, o parlamentar começou, mas não concluiu, o curso de Economia. Ex-lojista, brinca com o fato de ser praticante do judaísmo. Em conversas de campanha, para defender o pagamento de certas despesas, costuma argumentar: “Não precisa ser tão pão-duro, o judeu aqui sou eu”.

Detalhe: as primeiras famílias de judeus provindas do Marrocos, emigraram para a Amazônia brasileira vindas da Península Ibérica em 1824. Em árabe, Alcolumbre significa luz, vislumbre.

 O perdedor

O derrotado (ou desistente...) José Renan Vasconcelos Calheiros, 61 de idade – talvez um dos políticos mais odiados da atualidade no Brasil, mas ainda assim continuando cacique do PMDB – começou sua carreira profissional, aos 15 de idade, no lombo de seu cavalo, o “Kalunga” em Murici (AL). Vendia chinelos e chegou a morar de favor na casa de um amigo em Murici (AL).

Ingressado na política em como vereador, mais tarde (1983) iniciante deputado federal, Renan teve uma passagem em Brasília parecida com as pretensas atividades de Fabrício Queiroz, o polêmico assessor de Flávio Bolsonaro: comprava carros no setor de indústrias de Brasília para vender em Maceió.

Renan deslanchou a partir de 2003, quando obteve empréstimos de R$ 5,9 milhões (hoje, corrigidos, R$ 15,4 milhões - sem computar os juros) com o BNDES e o BNB. Seu projeto empresarial, a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes, montada em um terreno doado pela Prefeitura de Murici, foi um sucesso.

 Apreensão de menores

Dias Toffoli pautou para 13 de março o julgamento, pelo Plenário do Supremo, de uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo PSL, que pretende alterar artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente para endurecer as punições a jovens infratores. A ação foi proposta em 29 de março de 2005 – isto mesmo, há mais de 13 anos – e propõe que infrações envolvendo menores saiam do âmbito dos Conselhos Tutelares e passem a ser julgadas pela Justiça Comum.

Fundado em 1998, o PSL era, quando do ajuizamento, um partido nanico. O relator sorteado, à época, foi Cezar Peluso; atualmente é Gilmar Mendes.

Um dos pedidos da ação é para permitir que as autoridades possam apreender – para averiguação - menores perambulando nas ruas, mesmo sem a suspeita de delito praticado. O PSL sustenta que são “vadios e sem rumo na vida”. (ADI nº 3446).

• Força demais

Recém eleito presidente nacional da OAB, para um mandato de três anos, o advogado carioca Felipe Santa Cruz é contra a prisão após o julgamento da segunda instância, que o Supremo deve decidir no dia 10 de abril. “O Estado persecutório já tem força demais” – diz.

Felipe (ex-filiado a PT e MDB) e Bolsonaro já tiveram embates públicos, por conta da memória do pai, desaparecido na ditadura militar.

O novo dirigente da Ordem diz que “por mais que eu leia a Constituição, não consigo ter a leitura que não seja o trânsito em julgado das ações como o momento do cumprimento das penas”. E anuncia que estará na tribuna do Supremo defendendo a tese.

 Tchau, Brasil!

Os pais de classe média brasileira ainda não se impressionaram com as esperanças e promessas políticas de um Brasil gradativamente melhor a partir deste ano.

A propósito, uma pesquisa da Alexandria Big Data – empresa radicada em São Paulo - ouviu em janeiro 1.336 cidadãos e cidadãs de vida estável em sete capitais, incluindo Porto Alegre.

Para 75% deles (ou seja, 1.002 respostas) a intenção é possibilitar que seus filhos e filhas estudem fora do nosso país.

E, neste grupo convicto, os pais almejam que 681 dos descendentes fiquem definitivamente radicados fora do Brasil.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Oscar Americo Foernges - Advogado 05.02.19 | 14:52:07

Com relação ao tópico acima publicado, sob o título "Força demais", tenho uma dúvida se quando o presidente nacional da Ordem defender junto ao Supremo, sua tese contrária à prisão em segunda instância, se o fará em seu nome pessoal ou em nome da Instituição que preside, visto que, como inscrito na OAB, não lembro de ter recebido qualquer consulta a respeito.

Banner publicitário

Mais artigos do autor

O presidente do STF estará rezando, ou...?

   Olhe a imagem, pense e envie seu palpite!

   Depois da Resolução nº 151 da PGE-RS, uma paródia usando o slogan de conhecida caninha: “Uma boa ideia...para alguns”...

  Como o R$ 1 trilhão que Paulo Guedes quer arrecadar pode ricochetear no mercado imobiliário.

   Cariocas preparados para o fim do mundo.

  STF prossegue no dia 10 de maio o julgamento sobre a correção dos precatórios.

  Ida ao banheiro: diálogo entre ministros causa risadas no STF

Tribunal banca a ida de casal de magistrados a curso em San Diego (Califórnia)

 O curso é intitulado “Procedimentos no Direito Comparado entre Brasil e EUA”, que durará três dias. Mas marido e mulher (Maurício Kertzman Szporer e Patrícia Kertzmann (foto) receberam, cada um, sete diárias.

 Estelionato sentimental que começou no Tinder: homem conseguiu iludir mulher, mas é condenado em R$ 41 mil.

 Liberdade, liberdade: Gilmar Mendes solta mais um.

Abundância no jantar de aniversário do STJ para 800 convidados

· Soube-se que a conta da festa foi paga pela AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros. Juízes ouvidos pelo jornalista Frederico Vasconcelos criticaram: “Culto ao símbolo, convescote absurdo, esse principado tem que acabar”.

· Uma compra superior para 32 ministros: tablets ao preço unitário de R$ 11.250.

· Julgamento no STJ causa “t(R)emor” político a governadores e ex-governadores.

Um novo vital espaço no Espaço Vital

· On/Off para tratar de tecnologia, jurimetria, robôs, estatística aplicada ao direito.

· Recado para um certo treinador de futebol: “Estátua de vivo não dá certo”...

· STJ cancela duas súmulas.

· O que há por trás do adiamento do julgamento das ações que podem soltar (ou não...) Lula.

Uma ação para discutir o tamanho do “caipirão” no happy hour

•  A sentença de improcedência deplora que uma das mazelas da acessibilidade à justiça é a abusividade do direito de litigar, o que gera uma avalanche de pedidos totalmente descabidos.

•  Répteis e quelônios repetitivos, que se acumulam no Supremo...

•  No STF tempo é poder, porque o ´timing´ político decide o que é justo e o que não é.

•  A condenação da Claro (R$ 40 mil): claramente abusiva ao incomodar um consumidor.

•  Concursos abertos: R$ 24.000 na Defensoria Pública; R$ 2.400 para professor em faculdade de medicina.

Lei do distrato imobiliário, aprovada em dezembro, não se aplica a contratos em andamento

 A nova norma só se aplica a contratos assinados a partir de 29 de dezembro. A decisão é do STJ.

 Corregedoria-Geral da Justiça diz que o Foro Regional da Restinga está “atendendo com presteza”.

 Governo não pode reeditar medida provisória no mesmo ano de igual norma.

 Comprou algo na Amazon? Fique de olho na fatura de seu cartão de crédito.

 Nova lei dispensa empresas de publicar editais para convocar assembleia de acionistas.

 Como será o discurso de 31 de março nos quartéis.