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Edição de terça-feira, 19 de fevereiro de 2019.
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Os dois votos anulados: um era do velho Renan; o outro, do novo Renan



Chargista Clayton – Tribuna da Internet

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 80 + 1 = 82

A “rádio-corredor” do Conselho Federal da OAB divulgou ontem a explicação para o voto a mais que apareceu na primeira apuração da eleição de sábado: “Foram os dois Renans que votaram: o velho e o novo”.

Só se fala nisso.

 Os 52 votos que foram sumindo

Mesmo a experiência política não basta para prever certos resultados: na noite de sexta-feira (dia 1º), Renan Calheiros dava como certos 52 votos para sua candidatura à presidência do Senado. Deu no que deu...

A propósito, Renan fez no domingo uma previsão a um interlocutor próximo: “Davi Alcolumbre não tem pulso e nem experiência necessárias para controlar o Senado”.

 O ganhador

O novo presidente do Senado, David Samuel Alcolumbre Tobelem, nascido em Macapá (AP) em 19 de junho de 1977, exerceu a mercancia como primeira profissão. Em outubro de 2018, com mais quatro anos de Senado garantidos, ele concorreu ao governo do Amapá, mas não chegou ao segundo turno. Terminou em terceiro, com 94 mil votos (23,75% do total).

Davi foi candidato ao Senado em 2014, sendo eleito com 36,26% dos votos. É um dos 13 senadores que não possuem nível superior.

Filho de um mecânico e de uma empresária, o parlamentar começou, mas não concluiu, o curso de Economia. Ex-lojista, brinca com o fato de ser praticante do judaísmo. Em conversas de campanha, para defender o pagamento de certas despesas, costuma argumentar: “Não precisa ser tão pão-duro, o judeu aqui sou eu”.

Detalhe: as primeiras famílias de judeus provindas do Marrocos, emigraram para a Amazônia brasileira vindas da Península Ibérica em 1824. Em árabe, Alcolumbre significa luz, vislumbre.

 O perdedor

O derrotado (ou desistente...) José Renan Vasconcelos Calheiros, 61 de idade – talvez um dos políticos mais odiados da atualidade no Brasil, mas ainda assim continuando cacique do PMDB – começou sua carreira profissional, aos 15 de idade, no lombo de seu cavalo, o “Kalunga” em Murici (AL). Vendia chinelos e chegou a morar de favor na casa de um amigo em Murici (AL).

Ingressado na política em como vereador, mais tarde (1983) iniciante deputado federal, Renan teve uma passagem em Brasília parecida com as pretensas atividades de Fabrício Queiroz, o polêmico assessor de Flávio Bolsonaro: comprava carros no setor de indústrias de Brasília para vender em Maceió.

Renan deslanchou a partir de 2003, quando obteve empréstimos de R$ 5,9 milhões (hoje, corrigidos, R$ 15,4 milhões - sem computar os juros) com o BNDES e o BNB. Seu projeto empresarial, a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes, montada em um terreno doado pela Prefeitura de Murici, foi um sucesso.

 Apreensão de menores

Dias Toffoli pautou para 13 de março o julgamento, pelo Plenário do Supremo, de uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo PSL, que pretende alterar artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente para endurecer as punições a jovens infratores. A ação foi proposta em 29 de março de 2005 – isto mesmo, há mais de 13 anos – e propõe que infrações envolvendo menores saiam do âmbito dos Conselhos Tutelares e passem a ser julgadas pela Justiça Comum.

Fundado em 1998, o PSL era, quando do ajuizamento, um partido nanico. O relator sorteado, à época, foi Cezar Peluso; atualmente é Gilmar Mendes.

Um dos pedidos da ação é para permitir que as autoridades possam apreender – para averiguação - menores perambulando nas ruas, mesmo sem a suspeita de delito praticado. O PSL sustenta que são “vadios e sem rumo na vida”. (ADI nº 3446).

• Força demais

Recém eleito presidente nacional da OAB, para um mandato de três anos, o advogado carioca Felipe Santa Cruz é contra a prisão após o julgamento da segunda instância, que o Supremo deve decidir no dia 10 de abril. “O Estado persecutório já tem força demais” – diz.

Felipe (ex-filiado a PT e MDB) e Bolsonaro já tiveram embates públicos, por conta da memória do pai, desaparecido na ditadura militar.

O novo dirigente da Ordem diz que “por mais que eu leia a Constituição, não consigo ter a leitura que não seja o trânsito em julgado das ações como o momento do cumprimento das penas”. E anuncia que estará na tribuna do Supremo defendendo a tese.

 Tchau, Brasil!

Os pais de classe média brasileira ainda não se impressionaram com as esperanças e promessas políticas de um Brasil gradativamente melhor a partir deste ano.

A propósito, uma pesquisa da Alexandria Big Data – empresa radicada em São Paulo - ouviu em janeiro 1.336 cidadãos e cidadãs de vida estável em sete capitais, incluindo Porto Alegre.

Para 75% deles (ou seja, 1.002 respostas) a intenção é possibilitar que seus filhos e filhas estudem fora do nosso país.

E, neste grupo convicto, os pais almejam que 681 dos descendentes fiquem definitivamente radicados fora do Brasil.


Comentários

Oscar Americo Foernges - Advogado 05.02.19 | 14:52:07

Com relação ao tópico acima publicado, sob o título "Força demais", tenho uma dúvida se quando o presidente nacional da Ordem defender junto ao Supremo, sua tese contrária à prisão em segunda instância, se o fará em seu nome pessoal ou em nome da Instituição que preside, visto que, como inscrito na OAB, não lembro de ter recebido qualquer consulta a respeito.

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