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Edição de terça-feira , 13 de agosto de 2019.
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Que Roberto Melo mude, ou desça da barca!



Arte de Camila Adamoli sobre foto Camera Press

Imagem da Matéria

Na última segunda-feira (18) realizou-se a reunião do Conselho Deliberativo do Internacional, cuja pauta principal seria a apresentação das perspectivas para o futebol em 2019. Foram mais de duas horas de uma apresentação monótona e sonolenta, pelas palavras e modo do vice de futebol Roberto Melo.

Sempre a surrada tática de “encher linguiça”, para evitar eventuais perguntas difíceis. Falou do passado, como justificativa para as dificuldades atuais. Relatou, repetindo o ano anterior, tudo o que estava sendo feito.

Muito pouco foi dito quanto ao presente e o futuro. Resumiu os prognósticos ao anúncio de que “certamente momentos melhores virão”...

A torcida conhece bem a apatia do nosso vice de futebol e, com certeza, atribui a ela uma das causas de no seu currículo no Internacional: não ter a conquista de nenhum título (nem Gauchão, nem Série B, além de ter deixado escapar o Brasileirão do ano passado).

Mas Melo está lá e de lá não sairá; ele é da confiança do esquema de controle e direção do futebol. Aquele que impera ao longo de várias gestões.

Apesar da sua responsabilização à gestão passada pelas mazelas da sua, quando instado a opinar acerca de uma circunstância específica, sacramentou: “Prefiro não opinar quanto à gestão anterior”.

Ora, mas como, se os fundamentos das suas dificuldades remanescem a gestão anterior?

A contradição é apenas aparente. É que ele, assim como tantos no Internacional blindam o último dirigente de futebol da gestão Píffero, aquele que em seis meses não demonstrou capacidade diretiva para evitar a Segunda Divisão.

Melo cumpre um papel: o de apagar da história a participação desastrosa de Fernando Carvalho. Não retiro os méritos de FC, mas a realidade é essa e não adiantam subterfúgios. Aliás, quanto aos escândalos financeiros, como se não tivesse qualquer participação diretiva, elegeu o silêncio, sentenciando que “tudo será esclarecido”...

E os contratos herdados? E a situação do vestiário? E a insatisfação dos jogadores? E a inconsistência na contratação de técnicos?

Enfim, isso está posto para o julgamento pelos torcedores, nunca esquecendo que Vitório Píffero foi eleito com o engajamento e incondicional apoio de Carvalho.

Mas a minha abordagem é outra, mesmo porque a reunião foi transmitida pela web para os sócios. Assim, não foi sigilosa.

Em um determinado momento, visivelmente agastado pelas perguntas que exigiam respostas que não foram dadas, Melo perdeu as estribeiras, despertou da anestésica sonolência e passou a adotar uma postura imprópria para um dirigente perante um órgão do clube. Já havia repetido inúmeras vezes que “não há ninguém para ajudar e há muitos para destruir”.

Ora, isso talvez revele uma crise interna, pois a expressão “ninguém para ajudar” atinge a todos os seus pares de direção e de comissão técnica.

Mesmo que assim não seja e que estivesse se dirigindo a sócios, torcedores, conselheiros e imprensa, isso demonstra uma capacidade minúscula de compreender a dimensão do seu cargo. Isso não foi ímpar, eis que logo após a sua fala, uma conselheira que pertence ao seu grupo político, ocupou a tribuna, passando a criticar a torcida que, diante de apresentações insuficientes do time, manifestam irresignação no estádio.

Mas não é só.

Abandonando o tom da cansativa apresentação, passou a afirmar: “ (...) Há quem só fale coisas ruins, quem deixe escapar da boca coisas fétidas comparáveis ao que não posso dizer aqui...”.

A partir de então o seu destempero e arrogância, constituíram um interminável mantra. Ficou tão alterado que perdeu o contato com a realidade. Aludiu de forma equivocada à lamentável situação da perda pela direção do atleta Ricardo Goulart. Sim, aquele que contava com o apoio de Paulo Roberto Falcão, amaldiçoado após a sua primeira passagem no vestiário colorado pelo deus do futebol colorado.

Bem, isso revela que a pressão é grande porque agora chegou o momento de mostrar resultados e não lamúrias. Para tanto, é imprescindível ter coragem o que parece não ser a tônica do inarredável Melo.

Que mude, ou desça da barca!


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