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Edição de sexta-feira , 14 de junho de 2019.
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Lágrimas de crocodilo



Arte de Camila Adamoli sobre caricatura de Vírus da Arte e foto do TJRS

Imagem da Matéria

PONTO UM

Ao longo da semana passada, o Rio Grande do Sul testemunhou um emocionante julgamento pelo Tribunal do Júri, uma das instituições jurídicas e democráticas mais respeitadas na história da humanidade. O julgamento do caso do assassinato do menino Bernardo, em Três Passos.

Muitas lágrimas chamaram a atenção da assistência em geral, presencial ou através das mídias, vertidas por aqueles que estavam, por dever de ofício ou cumprindo múnus público, comprometidos com o processo em curso.

Algumas lágrimas, doídas, vindas das pessoas próximas à vítima e ouvidas como testemunhas. Outras impactantes e até inesperadas, sendo vertidas por quem atuou profissionalmente na investigação, mas nem por isso fica imune a todo o contexto que resultou drasticamente na morte do garoto, vindo à tona uma vida sofrida, magoada, maltratada, torturada que Bernardo suportou por anos.

Atrás de profissionais, como policiais, peritos, advogados, juízes, promotores há também um ser humano. Mas entre essas lágrimas, talvez as que mais chamaram a atenção foram as vertidas pela corré Graciele Ugulini. Lágrimas que não convenceram. Lágrimas que não sensibilizaram. Lágrimas que espaçadamente escorriam pelo rosto retorcido e que fungava o tempo todo durante o seu interrogatório.

Tais lágrimas passam para a história dos júris como lágrimas de crocodilo.

PONTO DOIS

A expressão lágrimas de crocodilo é de domínio público e significa choro fingido, falso, hipócrita, enganador.

Há diferentes versões para explicar esta expressão e o seu significado. Uma dessas explicações remonta à antiguidade, contando que às margens do rio Nilo os crocodilos, comuns naquela região, choravam para chamar a atenção dos que passavam, atraindo os piedosos ou curiosos e devorando os que se aproximavam.

Outra, mais biológica, indica que o crocodilo ao digerir um animal pode ter pressionado com força o céu da boca, comprimindo suas glândulas lacrimais. Assim ao devorar a vítima, as lágrimas escorrem de seus olhos por esta reação física.

Há, também, uma lenda medieval que conta que os crocodilos costumavam chorar após devorar uma vítima, sabe-se lá se por arrependimento ou por prazer.

A quais dessas versões podem ser atribuídas as lágrimas vertidas por Graciele durante o seu julgamento é uma incógnita, que talvez não mais importe desvelar.


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