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Edição de terça-feira , 13 de agosto de 2019.

O uso abusivo do antropômetro



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Interessada em musculação e pilates, a mulher de 38 procura uma academia que faz vistosa propaganda. A recepcionista informa ser necessária “uma prévia avaliação corporal feita por profissional nosso, devidamente habilitado”. Agendamento feito, presenças confirmadas, o professor faz triviais indagações e pede que a aluna em potencial deite na maca.

- Decúbito ventral, por favor.

A mulher atende. Só que o educador físico pressiona-lhe as coxas, tenta lhe apalpar os seios, pede para ela “empinar o bum-bum”e – com um aparelho numa das mãos – abaixa-lhe a bermuda.

- Não estou entendendo! – reclama a mulher, já pulando da maca.

O homem – exibindo a grande engenhoca - procura justificar:

- Trata-se de uma avaliação antropométrica que demonstra tamanho, forma e composição do corpo, revelando também relação cintura-quadril, teste da prega de pele e impedância bioelétrica. Tudo muito sério!

A mulher recompõe-se rapidamente, abre a porta, sai da salinha e dá uns gritos de “safado, tarado & companhia”. Dessa reação, há testemunhas.

A instrução processual prova ter havido falha perpetrada pela academia, por contratar e manter funcionário no exercício de atividade para a qual ele não dispõe de qualificação, visto ser professor de dança. “Não possui registro em conselho de educação física ou de fisioterapia” – avalia a juíza.

O acórdão da apelação pontua que “a extrapolação da normalidade ocorreu no momento em que o agente, ao manejar o aparelho antropômetro, tocou nos seios e nádegas da autora, e abaixou a bermuda da possível cliente, sem antes orientá-la, no mínimo, a colocar uma peça de biquíni ou maiô”.

Com o arremate jurisdicional de que “o pseudo profissional não soube manter o padrão moral esperado”, o abelhudo e a academia foram condenados a pagar R$ 8 mil.

Na semana passada, os dois réus pagaram a conta.

Solidariamente.


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Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

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