Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 16 de julho de 2019.
https://espacovital.com.br/images/doispontos.jpg

Amigo que é amigo não "come" amiga



Arte de Camila Adamoli sobre reprodução das redes sociais

Imagem da Matéria

PONTO UM:

“Nós vamos aí comer vocês ... ele segura e eu como”.

Essas palavras foram proferidas por um magistrado da Justiça do Estado de Santa Catarina – desembargador Jaime Machado Júnior - num ambiente de mídia eletrônica. Espalharam-se pelo país como rastilho de pólvora.

Baixaria. Grosseria. Inconveniência. Ofensa. Deselegância. Machismo barato. Etecetera...

Se tais palavras viessem de um varredor de rua - que me perdoem os garis cujo trabalho torna melhor a nossa vida - poderia se dar um desconto, ainda que desrespeitosas e indevidas, considerando o seu nível de escolaridade.

Mas vieram da boca de um desembargador, que no seu cotidiano julga a vida, a liberdade, a família , o patrimônio, os valores humanos e sociais de seus jurisdicionados.

Que legitimidade suas decisões podem exibir? Como fica uma parte que litiga pela guarda de um filho ou filha frente a tal julgador?

A Justiça - com ´J ´ maiúsculo - não merecia isso, desembargador Jaime.

PONTO DOIS:

Segundo outro vídeo viralizado, houve o perdão por uma das magistradas citadas na repugnante mensagem. Não muda nada!

Um magistrado detém um mandato outorgado pela Constituição. Um juiz não é dono do poder. É seu mandatário, agente público do poder jurisdicional, nos termos do artigo 1º (parágrafo único) e do artigo 2º, da Constituição republicana.

Sua postura, mesmo quando fora do tribunal, não pode se afastar da dignidade que o cargo e a função exigem.

Não foram cinco juízas atingidas, mas todas as mulheres do Brasil foram suas vítimas, objetificadas pelos impropérios verbais proferidos.

Senhor desembargador Jaime, também a amizade foi frontalmente atingida por suas palavras.

Amigo que é amigo não “come” amiga! Nem por brincadeira!...


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Mais artigos do autor

Judiciário versus democracia: eleição direta

O exemplo que vem do Tribunal de Justiça de Roraima: “Independentemente da instância em que atuam, todos os juízes votam, com maior comprometimento nos programas de otimização e qualificação da prestação jurisdicional”.

Portal Fiscaliza Manaus

Constituição escrita a lápis

 

Constituição escrita a lápis

“Pela Emenda Constitucional nº 97/2017 alterou-se a Carta Magna para restringir as coligações partidárias exclusivamente às eleições majoritárias, vedando-se sua aplicação às eleições proporcionais. Contudo, já se fala nos corredores (do Congresso e da política) em rever essa reforma que ainda não foi aplicada”.

Chargista Duke

Fake news: o mal do século 21?

 

Fake news: o mal do século 21?

“Desinformação reproduzida e multiplicada em nada agrega nem ao espaço privado, nem ao público. Desinformação não constrói, desconstrói; é um mal e como tal deve ser tratada”.