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Edição de terça-feira , 16 de julho de 2019.
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A catedral famosa e a revolta contra as doações milionárias



Foto de Monica Di Carlo / Digital Hunt

Imagem da Matéria

PONTO UM > Uma das mais difíceis perguntas a serem respondidas: o que é o homem? Como se define o homem?

Somente o conjunto de seus valores (homem como ser social, ser político, ser cultural, ser sexual, ser esportivo e assim por diante em suas inúmeras e ricas facetas) pode definir o homem. E entre esses valores está o homem como ser histórico. A história de um homem é também a história da sociedade em que ele está inserido e a história de suas obras. Há na essência uma significativa imbricação entre o homem e sua obra, ao ponto de impossível desconstruir essa conexão.

A Catedral de Notre-Dame de Paris é obra do homem e retrata a sua história, não apenas religiosa, mas também artística e cultural, por quase mil anos. Vidas, amores, alegrias, tristezas, mortes foram sentidas entre suas paredes e torres. Não há, por isso mesmo, como quantificar em moeda a perda sofrida pelo incêndio – ainda que acidental, mas causado pela mão do homem – entristecendo o mundo, porque não há como responder em cifrões o valor da catedral.

Não há como traduzir em números o valor do ser humano. Notre-Dame de Paris não é e nunca será apenas um amontoado de pedras, tijolos, é muito mais que isso.

PONTO DOIS > Revoltas, em especial do grupo identificado como “Coletes Amarelos”, se ergueram contra as imediatas e vultosas doações prometidas por milionários e grupos econômicos para a reconstrução da catedral. Sem olvidar que por trás dessas revoltas está um movimento político organizado.

Este reage às diferenças sociais, ao desemprego e à miséria que o povo francês e de outros países enfrentam, representando, portanto, muito mais que uma mera reação ao processo de reconstrução da obra histórica – mas, ainda assim, é preciso olhar sob outros ângulos o que representam tais doações. A má distribuição de rendas no mundo pretérito e no presente não é nenhuma novidade.

E não serão o incêndio ou a reconstrução da histórica igreja que mudarão isso. Mas essas doações, vindas, sim, de contas milionárias, liberam o governo de dispor de seus recursos, de um modo geral escassos, para o inevitável: Notre-Dame de Paris precisa ser reconstruída!

Ou alguém defenderia o contrário? E mais, tais obras - que devem levar, segundo anunciado, cerca de cinco anos – farão a roda rodar: empregos diretos e indiretos na construção civil e também em outras áreas de atividades serão criados, contribuindo para uma melhor divisão de rendas e para a redução das desigualdades.

O mundo precisa de Notre-Dame de Paris. O mundo precisa de que a roda rode. Viva às doações!

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