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Edição de terça-feira , 16 de julho de 2019.

Aparências enganam!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Carlos Alberto Bencke, advogado (OAB-RS nº 7.968)

Jenifer e Carlyson formavam um casal de dar inveja. Eram bonitos, famílias de classe média da média cidade do interior do culto Estado Sepétimo, e frequentadores da igreja mais tradicional da localidade.

Ela só trajava comportados terninhos fechados até o pescoço. Nem os joelhos mostrava. Não usava maquiagem porque não era necessário, tão lindos os seus traços delicados. Perfeita aos olhos invejosos.

O namoro com Carlyson só acontecia às quartas à noite e aos sábados. Rezavam muito e respeitavam a recomendação do pastor: “Sexo só após o casamento!”.

E assim foi. Viveriam felizes para sempre!

Dois dias depois das bodas, a surpresa. Carlyson ajuizou ação de anulação do casamento. Ninguém poderia imaginar o motivo.

Na audiência, o veterano juiz - que recusava promoção havia 20 anos - pergunta ao jovem qual a razão para aquela medida tão drástica. O rapaz, choroso, explica: “Doutor, somos religiosos, nos preservamos até o casamento, mas quando a tapioca caiu na cadeira e sem querer minha amada sentou-se como Deus a criou, veio a prova de que ela não respeitou nossa promessa”.

Para o experiente juiz não foi preciso seguir na instrução: decretou o fim do casamento por “erro essencial quanto à pessoa”.

Na “rádio-corredor” forense comenta-se que foi deste processo surgiu a frase: “Se fecharem a porta da frente, use a dos fundos”.


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