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Edição de terça-feira , 16 de julho de 2019.

Depois da justiça ´self-service´, os advogados trabalhando em aplicativos com Uber, Cabify, 99 etc.



Imagem: Freepik - Edição: Gerson Kauer

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Do editor, aos leitores

Na semana passada foi muito acessada uma publicação, no Conjur, que fez referência
à estória que, na década passada, se expandira sem a justa citação da autoria, que
é do advogado gaúcho Rafael Berthold. Aquele seu texto ampliado, foi veiculado pela
primeira vez no Espaço Vital em 2009.
Dez anos depois, agora sintetizado, está mais atual do que nunca, ante as notícias recentes de robôs e algoritmos peticionando e julgando processos...
Acompanhe as previsões para daqui a 40 anos.

Justiça ´self-service´
Por Rafael Berthold, advogado (OAB-RS nº 62.120)
rafael@seb.adv.br

No ano de 2059, tem início uma conversa entre avô e neto:

Vovô, por que o mundo está acabando?

Porque não existem mais advogados, meu anjo - responde o idoso

Advogados? Mas o que é isso? O que faz um advogado?

O idoso explica que advogados eram homens e mulheres elegantes que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, lutavam pela justiça defendendo as pessoas e a sociedade.

Eles defendiam as pessoas? Mas eles eram super-heróis?

Sim. Mas eles não eram vistos assim. Seus próprios clientes muitas vezes não pagavam os seus honorários e ainda faziam piadas, dizendo que as cobras não picavam advogados por uma questão de ética profissional.

E como foi que eles desapareceram, vovô?

Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial de uma super-vilã que, para exterminá-los, se valeu da união de três poderes, por isso, a chamamos de “União”.

Segundo o idoso, através do primeiro poder, a União permitiu a criação de infinitos cursos de Direito no país, formando dezenas de milhares de profissionais a cada semestre, o que acabou com a qualidade do ensino e entupiu o mercado de bacharéis.

Com o segundo poder, a União criou leis que permitiam que as pessoas movessem ações judiciais sem a presença de um advogado, com isso favorecendo a defesa de poderosos grupos econômicos e do Estado contra o cidadão leigo e ignorante. Por estarem acostumadas a ouvir piadas sobre como os advogados extorquiam seus clientes, as pessoas aplaudiram a iniciativa.

O vovô também explicou que o terceiro poder foi mais cruel: fixava honorários irrisórios para os advogados, mesmo quando a lei estabelecia limite mínimo! Isso sem falar na compensação de honorários, mas você é muito novo para ouvir certas barbaridades.

Mas o terceiro poder não durou muito tempo. Logo depois da criação do processo eletrônico, os computadores se tornaram tão poderosos que aprenderam a julgar os processos sozinhos. Foi o que se denominou de Justiça “self-service”. Das decisões não cabiam recursos, já que um computador sempre confirmava a decisão do outro, pois todos obedeciam à mesma lógica.

O primeiro poder, então, absorveu o segundo, com a criação das Medidas Definitivas, novo nome dado às Medidas Provisórias. Só quem poderia fazer alguma coisa eram os advogados, mas já era tarde demais. Estes estavam muito ocupados tentando sobreviver como motoristas de aplicativo e fazendo “delivery”.

Então, sem advogados, a sociedade entrou em colapso.

E é por isso que o mundo está acabando, meu netinho. Mas agora chega de assuntos tristes. Eu já contei por que as cobras não picam os advogados?...


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

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