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Porto Alegre (RS), terça-feira, 26 de maio de 2020.
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Você tem a dimensão do alcance do que publica nas redes sociais?



Imagem: Freepik - Edição: Gerson Kauer

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A Harvard é uma universidade privada, situada na cidade de Cambridge, Estado de Massachusetts, EUA. Sua história, influência e riqueza tornam-na uma das mais prestigiadas universidades do mundo.

Recentemente um estudo dela demonstrou uma associação de vídeos do Youtube com pedofilia. Tal fato foi concebido diante da configuração que tem o YouTube de fazer sugestões de novos vídeos com base no que foi assistido anteriormente. Aliás, prática amplamente utilizada não só pelo YouTube, mas por outras empresas como Facebook, Instagram para mostrar na sua linha do tempo o que foi publicado pelos seus amigos.

E por que esta associação se tornou macabra? Porque algumas pessoas assistiam ou procuravam por vídeos infantis e o YouTube (através da máquina, robô, software conhecido como algoritmo) entendia que vídeos que mostrassem crianças era o que o usuário queria assistir.

No caso ocorrido com uma criança do Rio de Janeiro – e revelado na terça-feira (4) pelo Espaço Vital - o vídeo era de crianças brincando em volta da piscina, de biquíni. Algo inocente, num primeiro momento. Contudo, com o número de visualizações que atingiu em pouco tempo, se mostrou que algo estava errado: um vídeo de crianças brincando não se torna viral (mais de 400 mil acessos) sem algo que o impulsione.

E a reportagem reveladora de um estudo associa o YouTube a impulso à pedofilia nos leva a um pensar muito relevante: o que publicamos nas redes sociais?

Quantas vezes publicamos filhos com roupas da escola, lugares que frequentamos, bares, restaurantes, locais onde vamos, enfim, criamos facilmente uma linha de tempo, expomos nossa forma de agir e ver o mundo - quase como se o mundo não tivesse maldade e ninguém pudesse usar isto contra nós…

Infelizmente não é assim que funciona. O YouTube mostrava a pessoas que queriam assistir crianças (possíveis pedófilos inclusive) as crianças brincando, mesmo que o interesse destas pessoas pudesse não ser o melhor… E, quanto mais materiais publicamos deste nível, mais informamos aos algoritmos o quanto eles podem saber de nós, da nossa vida, da nossa existência e assim sugerir contatos, pessoas, etc.

Já pensou seus filhos sendo sugeridos como amigos de possíveis pedófilos porque eles combinam (gostam de coisas de crianças...)?

Uma realidade a que precisamos estar atentos: as máquinas somente sabem o que nós informamos a elas.

É muito bonito compartilhar, com a família, momentos de lazer. E dividir nas redes sociais parece ser uma boa alternativa para divulgar a amigos também. Entretanto, você já parou para pensar nas configurações de privacidade das publicações, ou seja, quem pode ver, compartilhar o que você publica?

Se você não se preocupar, pode ter certeza que as empresas não o farão, pois o interesse delas é que o usuário clique, compartilhe e se mantenha conectado, mesmo que por estímulos impuros ou nefastos.

O próprio Google reconheceu o problema do YouTube, mas não deu uma solução, exceto pegar o vídeo em questão e excluir… E quantos outros estão sendo indicados neste momento e sequer sabemos da realidade destas indicações?

Seja ON em privacidade e pense realmente no que publicar e para quem publicar e nas configurações de privacidade aprenda a manusear e manter o que é seu somente para quem realmente interessa.

Todo cuidado é pouco com algo que é público, como as redes sociais.

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Coloco o meu endereço de e-mail à disposição dos leitores.
Comentários, sugestões etc. serão bem-vindos: gustavo@gustavorocha.com

Leia na base de dados do Espaço Vital:
Estudo de Harvard associa YouTube a impulso à pedofilia


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

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