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Edição de sexta-feira ,06 de dezembro de 2019.
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Deu tirititi no surucutu



Arte EV - Imagem meramente ilustrativa de As Grandes Vedetes Brasileiras - https://mesademulher.blogspot.com/

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Enquanto a Copa América segue, peço licença para invadir outras polêmicas.

O Teatro de Revista surgiu na França como espaço destinado à sátira política bem ao gosto popular. No Brasil teve o mesmo propósito. Estrelava beldades parcamente vestidas e com fortíssimo apelo erótico.

Os títulos dos musicais do gênero eram maliciosamente desafiadores, levando legiões de espectadores às peças do apelidado Teatro de Rebolado. ´Deu ´Tirititi no surucutu´ preencheria o requisito como título.

Após o seu ocaso, as telas dos cinemas foram tomadas pela pornochanchada. Produções singelas, cujo roteiro quase sempre contava com uma jovem e linda atriz (cuja principal função era a de ficar nua), amante de um grisalho rico, geralmente vestindo blazer e ao volante de um Ford Galaxie.

Anos 50 e 60, tudo ocorria em Copacabana, no apartamento da moça, um quarto e sala dividido com um cabelereiro. Claro que havia espaço no enredo para um jovem cabeludo, quase sempre surfista que enganava o grisalho, eis que apaixonado pela mocinha.

Os títulos seguiam o mesmo receituário, eram instigantes: Promiscuidade – Os Pivetes de Kátia; Elite Devassa; Dr. Frank na Clínica das Taras, e assim por diante.

Tenho o título, substituiria Copacabana por Brasília; o pequeno apartamento por uma mansão; o surfista por um juiz com porte atlético e com jeito de Clark Kent; o grisalho por vários empresários milionários; e o cabelereiro por um deputado federal casado com um blogueiro americano.

Haveria uma trama jurídica repleta de denúncias, de vazamentos homeopáticos de pretensas mensagens entre o magistrado e os acusadores.

Tudo isso nas mãos de Frederico Fellini, sim porque para o reducionismo da pornochanchada falta a mocinha com evidentes atributos físicos.

Também seria possível transformar a obra surgida de Fellini, em uma comédia. Iniciaríamos pelo cenário: uma tomada de cena bem próxima da venda da deusa da justiça, abrindo para um plano mais amplo.

Em sequência, encaixaria os passos decisivos do presidente do STF, retornando de uma audiência com o Presidente da República, oferecendo a Corte para um “esforço de pauta” com o objetivo de incrementar a economia. Mais ao fundo, caminhões descarregando camarões, queijos, espumantes, champagne, whisky, licores, etc.

Ou talvez um filme de terror, com outro nome é claro, que fosse mais adequado. Iniciaria com dezenas de senadores encalacrados até o pescoço, formulando perguntas ao ex-juiz que atuou na Lava-jato, com o nítido interesse de desacreditar a maior operação no mundo de combate à corrupção.

Tudo isso me vem à imaginação porque praticamente durante 13 dias convivemos com a denúncia de troca de mensagens entre aqueles que atuaram pelo sistema judiciário nos processos oriundos das investigações da Lava-jato. Os detentores do acervo que teria sido capturado das redes sociais, ocultam a totalidade do conteúdo, vazando a conta-gotas, e segundo a conjuntura política os trechos que endentem convenientes.

Até então, o que temos são imputações desprovidas de nexo de causa e efeito. Ferramentas que deveriam servir, estão sendo colocadas em dúvida e o pior, sem a possibilidade de encontrarmos o rastro da alegada invasão das contas onde as mensagens, segundo alegação, poderiam ter o seu conteúdo recriado ou adulterado.

Algo tem me preocupado e muito. Em alguns ramos da Justiça, praticamente não existem mais autos físicos. O PJE – Processo Judicial Eletrônico, tomou conta. Mas bem, se é possível a invasão de provedores, de contas de comunicação, de arquivos, como ficam as atas de audiências, documentos, depoimentos, etc. dos processos judiciais?


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