Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 16 de julho de 2019.

Atenção Excelências, celulares gravando!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Os dez advogados da banca estavam aborrecidos com as repetidas logorreias juizítícas a que ficavam expostos na vara do Trabalho presidida pelo “Doutor Guerreiro”. Reuniram-se, então, para definir a estratégia necessária à audiência, no dia seguinte, na ação de uma ex-gerente de loja contra a grande rede de expressão nacional.

Decidiram, então, cautelarmente que a “Doutora Cleciana” gravaria a solenidade. “Aceito a missão, e enfrento os ônus!” – teria dito ela.

Iniciado o ato jurisdicional, a reclamante passa a depor, e logo fica sujeita a escutar expressões como “na lei, existe litigância de má-fé, tem multa que reverte em favor da outra parte, perde o benefício da justiça gratuita e vai pagar as custas do processo”. E por aí...

Em cima da mesa, a advogada colocara o seu moderno celular - visível, mas sem ostentação. Na tela, a luzinha azul confirmava: “recording”.

A pesada audiência termina meia-hora depois, e a reclamante chorosa quase desaba nos corredores: “Nunca na minha vida eu tinha sofrido, em um só momento, tamanha pressão verbal acumulada, ainda mais partindo de um magistrado”.

No escritório, os dez advogados se reúnem para escutar a gravação e decidem fazer uma reclamação disciplinar à corregedoria da corte.

O petitório lembra que “o exercício da magistratura exige conduta que se norteia por imparcialidade, conhecimento, cortesia, transparência, dignidade, honra e decoro”. Junto é remetida uma cópia sonora do embrulho verbal.

Aberto o expediente, o “Doutor Guerreiro”, alvo da representação, se defende: “A gravação da audiência foi realizada de forma clandestina já que, embora autorizada pelo CPC, é dever das partes, por lealdade, cooperação e boa-fé comunicarem a sua realização, o que não foi feito pela reclamante”.

Corporativo, o corregedor arquiva a reclamação por entender ter sido “apenas uma situação nunca desejada, mas passível de ocorrer no âmago das salas de audiência, sem que se possa tipificá-la como ausência de urbanidade, adjetivo este de caráter subjetivo”.

Nada a punir. Pois é.

Mas o expediente correicional não está findo. Os dez advogados, via embargos de declaração, querem saber o que é que dois outros magistrados têm a ver com isso. É que na bílis verbal gravada foram criticados dois colegas juízes - “o Doutor Atílio” e “a Doutora Odete”.

Entrementes, o “Doutor Guerreiro”, se deu por impedido de continuar jurisdicionando a ação trabalhista, à qual – por sinal – foi atribuído coincidente segredo de justiça. (Dane-se o interesse público!).

Enquanto outros advogados disputam cópias da decisão correicional, o provecto Doutor Bento de Ozório Sant´Hellena, jurista jubilado, cumprimentou os dez advogados pela iniciativa, festejando “a coragem de todos nesse primeiro passo de um futuro movimento repetitivo para definitivamente brecar rompantes de juizite”.

A propósito, lembrando já ter realizado dois desagravos a advogados destratados pelo mesmo “Doutor Guerreiro”, a OAB aguarda os próximos passos.

E Madame Tartaruga Jurisdicional, a seu turno, esteve na sexta-feira (5) discretamente no fórum. Queria descobrir se a gravação de áudio tinha chegado ao conhecimento do IntercePT.

Na “rádio-corredor” do fórum trabalhista só se fala nisso.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

Vá ler o CPC, doutora!

 

Vá ler o CPC, doutora!

“Após extravasamento verbal, o juiz jogou à mesa um exemplar do ´CPC Comentado´, com uma sugestão em altos decibéis: ´Leia o Código, Doutora´. Em gesto igual, devolvi-lhe o livro e retruquei no mesmo alto tom de voz: “Leia você o CPC e a CLT, pois quando você entrou na faculdade, eu já andava por aqui, há anos”. O texto é da advogada Bernadete Kurtz (OAB-RS nº 6.937).

Charge de Gerson Kauer

   Como um juiz se aposenta...

 

Como um juiz se aposenta...

O magistrado comandava uma audiência. De repente, teve vontade de esgoelar o advogado, botar a correr as partes, prender a testemunha mentirosa, e jogar tudo pela janela. Ainda bem que pediu aposentadoria. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

É sexta-feira no fórum!

 

É sexta-feira no fórum!

A paciência de uma advogada, diante do balcão de um cartório, na busca de um alvará pedido há 45 dias, e cujo processo teimosamente ficava imóvel numa das repetitivas pilhas. Mas – “obrigado Deus”, era sexta-feira, dia de o escrivão fazer o seu happy hour, porque ninguém é de ferro...

Charge de Gerson Kauer

O cheirinho da garagem...

 

O cheirinho da garagem...

Após estacionar seu automóvel, mais uma vez, defronte à garagem de uma residência, o advogado e professor de Direito encontra, no para-brisas, um bilhete ameaçador:  “Com todo o respeito, é a quarta vez que você põe o carro na minha garagem. Se você é homem, aperta a campainha que eu vou falar com você, seu merda”.

Charge de Gerson Kauer

“Senhores e senhoras, levantem-se!”

 

“Senhores e senhoras, levantem-se!”

Era o primeiro dia de audiências do novel juiz na comarca. Os advogados e as partes foram entrando na sala, sendo surpreendidos por chamativo aviso: “Em estrito respeito ao Juízo, todos deverão levantar-se no momento que o MM. Juiz adentrar a sala de audiências”. A severa escrivã também fazia a sua parte. Os advogados locais reagiram.

Charge de Gerson Kauer

Aparências enganam!

 

Aparências enganam!

Porta da frente, ou porta dos fundos? Dois dias depois das bodas, a surpresa: na comarca de entrância intermediária, Carlyson ajuizou ação de anulação do casamento contra a jovem esposa Jenifer. Ninguém imaginava o motivo. O experiente juiz logo entendeu tratar-se de “erro essencial quanto à pessoa”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.