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Porto Alegre (RS), terça-feira, 14 de julho de 2020.

O "teste do sofá" na busca por uma liminar



Arte de Camila Adamoli sobre foto Google Imagens

Imagem da Matéria

Viralizou nas redes sociais no fim-de-semana uma declaração da magistrada Patrícia Cunha Paz Barreto de Carvalho, da Justiça Estadual de Sergipe, publicada pela revista Época. A fala foi, um ano atrás, durante um congresso de magistrados realizado em Maceió (AL), que discutia o papel da mulher no Judiciário.

A juíza deu a entender que algumas jovens profissionais da advocacia e servidoras públicas sofrem assédios. "Ouço histórias de várias advogadas que, na busca por uma liminar, tiveram que se submeter, com juízes, a testes do sofá” – disse.

Face à repercussão no próprio evento, a juíza desconversou: "É muito delicado o tema, e mais não vem a público. A gente ouve. De repente você tem uma amiga que é servidora, então ela se sente à vontade para dizer. Mas é uma coisa velada, escondida, privada" - completou Patrícia.

Notícia “tendenciosa e que causa estranheza”

A juíza Patrícia Cunha Paz Barreto de Carvalho emitiu ontem (26) uma nota, afirmando que a publicação da revista Época foi “tendenciosa, além de causar estranheza e repúdio”.

Ela também admite que “a utilização do termo ´teste do sofá´, da linguagem popular, no lugar da expressão mais formal ´assédio´, em ambiente profissional, talvez não tenha sido muito adequada”.

Eis a íntegra da nota

"A notícia veiculada em 24 de agosto de 2019, sob o título ´Juíza diz que colegas fazem teste do sofá', pelo saite de notícias ÉPOCA (e republicada por outros saites) é flagrantemente tendenciosa e causa estranheza e repúdio. A matéria remete a alegações proferidas em maio de 2018, em evento acadêmico, ou seja, há mais de um ano.

Não há justificativa para a publicação da notícia, sem qualquer contextualização, senão a aparente intenção de ferir a honra desta magistrada, do Judiciário do Estado de Sergipe e, em contexto mais amplo, do Poder Judiciário brasileiro.

Além disso, a matéria retira a fala da magistrada de seu contexto, publicando vídeo de trecho do colóquio e levando a crer, equivocadamente, que se denunciaria uma prática do Judiciário. As declarações foram feitas durante o painel “Gênero e a Feminização da Magistratura”, no XXIII Congresso Brasileiro de Magistrados. Na ocasião, de caráter eminentemente científico, tratavam-se das dificuldades que as mulheres enfrentam no trabalho no Judiciário. A ocorrência de assédio é preocupante tanto no setor público quanto na iniciativa privada. Não por acaso, é penalmente tipificado e deve ser, portanto, combatido.

A matéria, todavia, com sua linguagem tendenciosa, inclina os leitores a acreditar que esta magistrada estaria denunciando colegas de sua profissão, quando, na verdade, estava referindo-se, de forma genérica, a uma prática de que, lamentavelmente, se têm notícias, nas mais diversas relações intersubjetivas, no Brasil e no mundo.

Como em toda violência de gênero, contudo, inexistem dados compreensivos, devido à complexidade e às múltiplas facetas da questão. Os casos, inclusive, são apurados pelos órgãos competentes em segredo de justiça.

Finalmente, a utilização do termo ´teste do sofá´, da linguagem popular, no lugar da expressão mais formal ´assédio´, em ambiente profissional, talvez não tenha sido muito adequada, fato que ensejou interpretação equivocada do que foi dito e seu uso indevido em matéria jornalística.

De qualquer forma, além dos dissabores pessoais com o ocorrido, é salutar registrar que esta magistrada se ressente de qualquer desconforto ocasionado pela notícia em relação a terceiros. O Judiciário não merece ser vítima de notícias tendenciosas, nem, tampouco, esta magistrada. Não há justificativas plausíveis para que, há mais de um ano do evento, a imagem desta magistrada e trechos do colóquio sejam selecionados, de forma descontextualizada e tendenciosa, para ferir a imagem de indivíduos e carreiras.

Como dito, a divulgação causa estranheza, sendo lamentável, portanto”.
(ass). Patrícia Cunha Paz, juíza de Direito do TJ do Estado de Sergipe.


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