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Edição de sexta-feira , 13 de setembro de 2019.
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A IVI e a teoria impura do futebol



Arte de Camila Adamoli

Imagem da Matéria

Na área jurídica, pode-se dizer que o autor mais ousado e famoso do século XX foi um austríaco chamado Hans Kelsen. Queria expulsar da ciência jurídica qualquer juízo de valor. E fracassou. Por quê? Porque foi mal compreendido. Sua fama resulta de um fiasco interpretativo. Os intérpretes jogaram com quatro volantes e centroavante à moda Texas – aipim fincado.

O austríaco disse: “Apenas o olhar é puro; o objeto não é puro”. Os intérpretes confundiram tudo e entenderam que o objeto deveria ser puro. Tanto é que ele dizia: “A ciência é pura; a aplicação que é feita pelos juízes é recheada de valores e não há qualquer maneira de se dizer que haja uma resposta melhor que outra no direito”.

Obviamente não deu certo. Confundiram as bolas. E da “teoria pura” nasceu o ovo da serpente do decisionismo, do “vale-tudo interpretativo”. De certo modo, essa ficção do jornalista isento é uma pretensão parecida. Impossível isso. A IVI é exatamente o produto de uma ficção. Quiseram enganar a malta fazendo um “olhar puro” sobre o objeto futebolístico. Mas o objeto é impuro, assim como é impuro o olhar sobre o objeto.

Resultado: um isentismo trash (Trash é aquele filme em que o diretor quer fazer a sério e não consegue esconder o zíper da roupa do monstro).

Alguém dirá: poxa, que complicação esse texto do Jus Azul. Complicado?

Complicado é aguentar o discurso “isento” da IVI. O Grêmio venceu o Palmeiras. O que diz a IVI? Grêmio ganhou de um time morto, treinado por um decadente.

Pedro Ernesto esculhambou Felipão até as grimpas. A IVI da Ipiranga deitou e rolou. Objetivo? Desqualificar a vitória do Grêmio. Assim também o Grêmio perdeu para o pior Real Madrid... Essa IVI...

O Inter foi eliminado pelo Flamengo. Para a IVI, o Fla é o melhor time do Brasil, e o Inter perdeu epicamente. Não foram bem essas palavras, mas foi mais ou menos isso. Odair ficou fora da Libertadores, mas é “o melhor técnico”. Foi mais ou menos isso.

O que a IVI esconde? Com seu “olhar puro” (sic), não fala que o Grêmio e o Flamengo praticam o futebol mais bonito e melhor. E que ambos desclassificaram dois times que jogam antifutebol, cujas grandes jogadas são: balão para a área e cruzamento com a mão, de lateral. Incrível: o futebol passou a ser jogado com as mãos. E a IVI gosta.

A IVI, agora, para quarta-feira, esfrega as mãos. Já colocou as luvas brancas da “isenção”. Rogerio Ceni é o cara, diz a IVI. O Cruzeiro, que antes era “morto”, agora ressuscitou. Por quê?

Para justificar eventual resultado negativo. Já o Atlético nem é o que dizem, alardeia um ´ivista´ da praça. Ah, bom. Luvas brancas da isenção.

Alguém achou Hans Kelsen complicado? Então leia os comentários dos ´ivistas´. Leia Diogo Pipoca, Pedro Ernesto, ouça Guerrinha (esse não é IVI, porque assumido), ouça o capitão da IVI do Orfanotrófio, leiam e ouçam a IVI do centro.

Não, não é complexo de perseguição. São décadas de predominância de uma Teoria Pura do Futebol. Kelsen fracassou. A IVI, não. Tanto é que continua a milhão.

Se der Gre-Nal, esperem para ouvir, ler e ouvir o que nunca imaginaram.

Minhas homenagens ao Ricardo Wortmann, quem criou a sigla IVI. Ele foi apenas o nomoteta (dador de nomes, em grego). Ela estava já aí de há muito. RW deu o nome. No princípio, já era a IVI. E a IVI se fez tão forte que, atualmente, falar a palavra IVI é como os cornos: uma coisa que colocaram na sua cabeça. Mas não dá para ver. Só dá para sentir. Como diz a própria IVI, isso de IVI não existe! Ah, bom...


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