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Porto Alegre (RS), terça-feira, 02 de junho de 2020.
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A manchete com que a IVI sonhou



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Avisei aqui que, caso o Grêmio não se classificasse para a final da Copa do Brasil, a vida dos torcedores seria infernizada pela IVI – Imprensa Vermelha Isentíssima. A charge que abre este Jus Azul é o retrato do que a Imprensa Vermelha Isenta sonhava em manchetear: “Athetico e Grêmio frustrados com o Inter bi-campeão” !...

Antes do primeiro jogo da final, a Zero Hora construiu um clima de triunfo nunca antes visto, claro, exatamente porque a carência de títulos vermelhos demanda um inchaço no noticiário. A mãe do Odair, a terra do Odair, a família do Odair, etc. etc. Foram páginas e páginas.

A IVI do Centro chegou a fazer um dia todo só sobre o jogo.

Rufem os tambores. O Grêmio ganhou não faz muito, pela quinta vez, a Copa do Brasil e foi tri-campeão da Libertadores - e nem de perto a IVI fez esse barulhão.

Tive a pachorra de comparar o espaço e a repercussão dos títulos recentes do Grêmio com a mera expectativa de títulos vermelhos. É espantosa a diferença. E ainda vem um gaiato e diz: “Isso de IVI não existe”...

Eu respondo: exato, IVI não existe; é como guampa; alguém põe na sua cabeça...

Veio o primeiro jogo da decisão da CB. Derrota. Pedro Ernesto disse: “Tenho convicção de que o Inter será campeão”.

Com a segunda derrota (com fiasco), cobrado que foi sobre essa convicção, Pedro Ernesto enrolou: tinha convicção, mas não disse que tinha certeza. Ah, bom. Pensei que convicção era algo como “tenho certeza de que isso...”.

Mauricio Saraiva estava rouco depois da derrota final. E o Capitão da IVI do Orfanotrófio espumava.

Um bom modo de identificar um ivista é ver como reage a uma derrota de seu (não confessado) time. Se está muito brabinho, é batata. Testemunhas dizem que Diogo Pipoca berrava muito depois do jogo. Com raiva da escalação e do ex-incensado e (ainda) treinador Odair.

Tudo isso é uma lição acerca de que como não se deve fazer cobertura esportiva. Paixão demais vira filme ´trash´. Fazem algo tão a “sério” que esquecem de esconder o zíper da roupa do monstro.

Isso fica visível com o modo como radialistas, jornalistas e jornaleiros trataram a vitória do Athlético. Ouvi coisas como “vergonha”, “falta de ética”... Eu anotei tudo. Entendo que as manifestações ocorreram em um momento de raiva, mas alguns radialistas exageraram. Ora, por que desmerecer o título do CAP? Fez cera?

No domingo (22) de manhã, Pedro Ernesto falou de novo da cera do CAP. E o Inter nunca fez? O Grêmio nunca fez? Agora, queria ver comentários sobre o anti jogo do Inter contra o Palmeiras – por exemplo, quando a principal jogada do time é... jogar a bola com as mãos na área. Que estratégia, não? É futebol ou rúgbi?

Por que o técnico do CAP teria faltado com a ética? Queria saber o que os radialistas entendem por ética. E por estética. Se alguém reunisse todo o material falado e escrito sobre esse jogo poderia escrever um livro ou fazer uma tese de doutorado. Mais: por exemplo, por que a IVI banalizou a discussão sobre o VAR? E a arbitragem do tal Wagner que cleptou a classificação do Grêmio? Sumiu do radar?

Por fim, o engraçado (ou trágico) foi o modo como Sobis e Edenilson, que, driblados (vejam de novo o vídeo), saíram caminhando como se estivessem jogando uma pelada de casados contra solteiros.

Aproveito, aqui, para avisar à IVI que o Grêmio está vivo na Libertadores. Sim, sei que a secação será grande. Eu não esqueço e a torcida do Grêmio não deve esquecer: quando o Flamengo desclassificou o Inter, este, conforme a IVI, perdeu para o maior time do Brasil. E o Grêmio, ao derrotar o Palmeiras, ganhou - segundo Pedro Ernesto e Guerrinha - de um timeco treinado por um incompetente que foi demitido.

Bingo! Que coisa, não? Estou sendo chato? Pode ser. Mas alguém tem de colocar o sino no pescoço do gato. Está demais. Essa parcialidade da mídia gaúcha já passou dos limites de há muito.

Torcedores tricolores, uni-vos! Nada tendes a ganhar acreditando que a IVI não ec-xiste. Acredite: a IVI ec-xiste, sim. Ela é como o grande irmão. Está nos vigiando. Há que ter coragem para colocar o sino no pescoço do gato. E o gato é grande. Com unhas afiadas.


A PALAVRA DO LEITOR

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