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Porto Alegre (RS), terça-feira, 02 de junho de 2020.
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A falta de constrangimento ('unbegrenzte´) das falhas do VAR



Imagem da Matéria

Peço desculpas pelo título sofisticado. É que não gosto de música neosertaneja, quer dizer, não gosto de simplificar coisas complexas. Por isso, peço a pachorra dos leitores para esta junção de caracteres.

Todos os domingos o VAR é contestado. Atenção: antes que alguém me corrija e diga a platitude de “não é o VAR, são os homens que manipulam o VAR” (ah, bom, porque o bobo aqui achava que o VAR era uma pessoa!), registro, portanto, o acordo semântico sobre o que estou tratando. Hoje em dia as pessoas pensam que a palavra ´água´ molha.

Sigo. Venho escrevendo sobre essa praga contemporânea que é produto da pós-modernidade, dessa era dos algoritmos, dos ´coach´, das ´startups´ e quejandos. O VAR poderia ser uma boa ideia, desde que não fosse manipulado por néscios em sua maior parte. Ou por gente mal intencionada, o que não se descarta depois de erros de “interpretação” (argh – atenção: argh é uma onomatopeia para expressar desprezo!) cometidos, por exemplo, contra o Grêmio no jogo contra o River e contra o Grêmio no jogo contra o Athletico bem recentemente.

Nem preciso falar dos demais erros flagrantes, que verdadeiramente operam os clubes. Mão é mão...quando, mesmo? Na área do Fluminense não é, como se viu anteontem no Maracanã.

Agora, o que ajuda a desmoralizar o VAR são os comentaristas isentos de arbitragem. Aqui está o paciente zero da epidemia. Diori Vasconcelos, por exemplo, não se ajuda. Seu vermelhismo isento não opôs maiores resistências ao roubo de que foi vitima o Grêmio na Arena em Curitiba. Quando foi do jogo do Inter contra o Flamengo, a casa caiu. Teve chiliques. Roubo, etc., etc. Ah, bom. O lance do Palmeiras...foi decisão acertada do VAR. Ah, sim.

O VAR poderia ser melhorado se a arbitragem (quer dizer, os intérpretes do que o VAR mostra) fossem constrangidos por uma boa crítica. Este é o problema. O VAR se fortalece nos erros...porque os erros são legitimados pelos beneficiários do erro. Os comentaristas “isentos” são terríveis. Por torcerem por seus clubes, justificam os erros do VAR.

Há um livro em alemão chamado Unbegrentze Auslegung (Interpretação Não-Constrangida). Seu autor, Bernd Rüthers, diz que o nazismo se fortaleceu porque os juristas e os políticos não fizeram críticas duras e consistentes aos ímpetos autoritários dos nazistas. Por falta de constrangimento, os nazistas se fortaleceram e quase acabaram com o mundo.

Pois bem. Por falta de constrangimento (Unbegrenze) o VAR vai se fortalecendo no erro e vai acabar com o futebol.

Abramos os olhos. O VAR não anda sozinho. Precisa de intérpretes. E estes, se não forem constrangidos por uma adequada crítica, fortalecem-se cada vez mais e continuarão errando. Ou - por que não?... - cleptando.

Amanhã todos na Arena. E de olho no VAR!


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