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Porto Alegre (RS), terça-feira, 02 de junho de 2020.
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Brasília, o árido coração das trevas



Imagens: Freepik - Edição/Montagem: Gerson Kauer

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  O tiro não disparado e seus efeitos

Em maio de 2017, a Operação Lava-Jato estava atingindo seu ponto mais alto causado por acontecimentos ímpares:

a) O ex-presidente Lula tivera a primeira audiência à frente de Sergio Moro no caso do tríplex;

b) A Presidência de Michel Temer tremera após a divulgação de um vídeo que mostrava um deputado puxando, próximo a uma pizzaria paulistana, uma mala cheia de dinheiro;

c) A delação premiada dos donos da JBS disparara choques devastadores contra o mundo político.

No dia 11 daquele mês, houve também um quarto crucial episódio, que ficou desconhecido durante dois anos e quatro meses – e que por pouco não mudou radicalmente a história da maior investigação criminal já realizada no país.

O então procurador-¬geral da República, Rodrigo Janot foi a uma rotineira sessão do STF, mas com um ímpeto inédito: estava decidido a executar o ministro Gilmar Mendes. O plano era dar um tiro na cabeça do ministro e depois se matar. A cerca de 2 metros de distância de Mendes, na sala reservada onde os ministros se reúnem antes de iniciar os julgamentos no plenário, Janot sacou do coldre uma pistola que ficou escondida sob a beca e a engatilhou.

Mas – segundo o próprio Janot – “a mão invisível do bom-senso tocou no meu ombro e disse: Não!”

 Antecedentes diretos

Gilmar Mendes há muito tempo se referia a Janot como “bêbado e irresponsável”. E o ex procurador-geral da República costumava chamar o ministro de “perverso e dissimulado”.

Mas as faíscas recíprocas aumentaram quando Janot pediu ao Supremo que impedisse Gilmar de atuar em uma ação penal que envolvia Eike Batista. O PGR documentou que Guimar Mendes, a esposa do ministro, trabalhava no mesmo escritório de advocacia que defendia Eike.

Na sequência, a imprensa divulgou potins jornalísticos reconvencionais: a filha de Janot seria advogada de empreiteiras envolvidas na pilhagem nacional. Isto, por analogia, faria o pai Rodrigo Janot também como suspeito para atuar nas ações penais da Lava-Jato.

O procurador então identificou Gilmar como a origem da informação e – não sendo aquela informação exata - decidiu matá-lo. A filha Letícia Ladeira Monteiro de Barros realmente atuou como advogada das empresas OAS e Braskem em ações junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e à Justiça Federal. “Mas minha filha nunca atuou na área penal, e aí eu saí do sério” – disse Janot ao jornal O Estado de S. Paulo na última quinta-feira (26)

No livro “Nada Menos que Tudo”, que chega às livrarias nesta semana, o ex-procurador preserva os nomes de alguns personagens pilhados em cenas constrangedoras. Menciona a visita recebida de um ministro do Supremo que, chorando, foi procurá-lo para certificar-se se era, ou não alvo da investigação. (E não era).

 Antecedentes indiretos

Antes de 11 de maio de 2017 – que foi o dia ´x´ da questão - Rodrigo Janot já tinha atração bélica por armas.

Onze meses antes, em junho de 2016, ele contou ao jornal Washington Post que mantinha uma pistola carregada ao lado de sua cama. Na ocasião, dizia que vinha recebendo ameaças.

 O pior criminoso

Mas Janot dispara em direção a Eduardo Cunha o epíteto de “o pior dos criminosos”.

E vaticina que não fosse a Lava-Jato, Cunha – na época presidente da Câmara – seria o atual presidente da República.

 As frases cruciais

Nas 255 páginas do livro e na entrevista concedida à revista Veja e ao jornal O Estado de São Paulo, 13 das frases de Janot – algumas com componentes de suspense à moda Alfred Hitchcock - resumem a essência do enredo assassino-suicida e o desfecho da desistência não trágica:

“Naquele 11 de maio fui armado para o Supremo. Ia dar um tiro na cara dele e depois me suicidaria. Estava movido pela ira. Não havia escrito carta de despedida, não conseguia pensar em mais nada. Também não disse a ninguém o que eu pretendia fazer. Tirei a minha pistola da cintura, engatilhei, mantive-a encostada à perna, por baixo da toga, e fui para cima dele. Mas algo estranho aconteceu. Quando procurei o gatilho, meu dedo indicador ficou paralisado. Eu sou destro. Mudei de mão. Tentei posicionar a pistola na mão esquerda, mas meu dedo paralisou de novo. Nesse momento eu estava a menos de 2 metros dele. Pensei: ´Isso é um sinal´. Depois chamei meu secretário executivo, disse que não estava passando bem e fui embora”.

  Sem convencimento

Francisco Prehn Zavascki, filho do falecido ministro Teori Zavascki, postou no Facebook durante o fim-de-semana: “O ex procurador-geral da República abertamente admitindo que queria matar um ministro do STF, e ainda tem gente querendo me convencer que o avião caiu por acidente!”

Teori, então relator da Lava-Jato no STF, morreu em 19 janeiro de 2017 num desastre aeronáutico no litoral de Paraty (RJ).

Francisco é advogado (OAB-RS nº 58.888).

 Da “rádio PGR”

Distância intransponível - Um procurador que trabalhou com Rodrigo Janot tem uma dúvida pertinente sobre a decisão do ex-PGR de compartilhar com o mundo todo seu temperamento homicida: “Quem agora vai contratar Janot, sobretudo para advogar no Supremo?”. (Em tempo: Janot abriu escritório de advocacia em Brasília em junho passado).

• Há controvérsias - Os procuradores que trabalhavam próximo a Rodrigo Janot jamais ouviram falar da história na ocasião conturbada (maio de 2017).

Dois anos e meio depois, alguns deles agora desconfiam da veracidade e não descartam que ao menos parte seja fruto da fantasia de uma mente emocionalmente confusa, talvez estressada.

 Mais controvérsias - Mas há quem pense que – verdadeira ou não a história do planejamento do assassinato abortado “pela mão invisível do bom senso” – Janot está aditivando química midiática para o sucesso de vendas do livro.

 A surpresa

A “rádio-corredor” do TJ-DFT – que faz raras postagens – desta vez compareceu para especular forte.

Irradiou que Janot – mesmo com as sérias restrições pessoais e profissionais pelas quais passará – havia encontrado um jeito indireto de entregar seu notebook e seu celular para a Polícia Federal.

Esta – a se confirmar a especulação – passou a ter às mãos apreciáveis instrumentos para tomar conhecimento de coisas sinistras de muita gente graúda do mundo jurídico.

A conferir.


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