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Edição de sexta-feira ,08 de novembro de 2019.
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O batom da anã circense e o pênalti de Galhardo



NaniHumorBlogspot.com

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Sempre há um modo de (se) explicar. Até batom na cueca. Um sujeito estava nessa situação e explicou-se deste modo:

“Estava voltando para casa quando, de repente, ao passar por um pequeno obstáculo na rua, meu cinto estourou. A calça caiu completamente. Nesse exato momento uma atriz circense, de baixa estatura, com alto grau de miopia, esbarra em mim, deixando essa marca indelével de batom vermelho. Pedi desculpas, ela também, e cada um de nós seguiu seu rumo”.

Bom, se colou, não se sabe. Pois o caso do pênalti cometido por Galhardo é algo desse jaez. Segurou a camisa de Luan (do Atlético-MG) e este se jogou. Parece que não foi pênalti. Mas não é disso que estou falando. O que quero dizer é: como é possível que um jogador profissional, sabendo que há 200 câmeras filmando tudo, nestes tempos de VAR, puxe o adversário pela camisa? Isto beira à irresponsabilidade.

Pior: a jogada era secundária. A mão na camisa foi irrelevante. Mas suficiente para que o árbitro, olhando em câmera lenta, aproveitasse e compensasse o pênalti (legítimo) marcado antes a favor do Grêmio.

Há que se falar com os jogadores. Pior foi a declaração de Galhardo ao final do primeiro tempo. Tal qual o gaiato do batom, contou a história da atriz circense. Acho que ninguém acreditou.

O VAR, de fato, veio para complicar os jogos. Impedimentos marcados por bico de chuteira, nariz, ombros... Pênaltis marcados em que a jogada é irrelevante para o deslinde? É disso mesmo que fala a norma jurídica?

Ora, um pouco de hermenêutica faz bem em um país de incultos. Toda norma jurídica possui um ´telos´. Finalidade. Objetiva algo. A norma que proíbe o furto tem o objetivo de proteger a propriedade. Se uma lei diz que é proibido levar cães na plataforma do trem, então é porque ela visa a proteger os transeuntes de animais perigosos. Isto quer dizer que o intérprete não pode proibir cães e deixar passar ursos. E também não pode proibir cães Yorkshire. ´Telos´. Teleologia.

Abaixo a burrice na arbitragem e na interpretação das regras do futebol. Se fossem os árbitros e os analistas de arbitragem (e boa parte dos experts em ludopedismo) que interpretassem essa norma dos cães, o caos estaria posto.

Fico impressionado com o modo como interpretam as leis esportivas. Ora, por exemplo, impedimento exige aproveitamento da posição de...impedido. Off side. Pênalti só o é quando há benefício para quem pratica a falta. Se a jogada ocorreria de qualquer modo, há uma causa independente.

Vamos brincar um pouco com isso? Vamos usar o critério (do Direito Penal) chamado “eliminação hipotética”. Toda vez que se exclui um fato, e mesmo assim o resultado ocorrer, é sinal que o fato não foi causa do resultado. O caso de Galhardo – como de tantos outros – pode ser chamada de “causa independente”, isto é, o resultado ocorreria independente da conduta do agente. Ou seja, não foi o ato de Galhardo que impediu o gol do Atlético.

Foge ao desdobramento causal do ato do agente. A pergunta é: tirante o ato “faltoso”, o prejuízo ocorreu (ou ocorreria) de igual modo? Uma bola na mão não pode ser simplesmente assinalada sem que se faça o teste da “eliminação hipotética”.

Galhardo atira em Fred, mas este não morre do tiro, mas, sim, de um envenenamento provocado por Lomba. Galhardo não deveria ter atirado. Mas, pagar pelo homicídio?

Pronto. Transformei a interpretação das regras de futebol em um caso de polícia. Mas, será que não é, mesmo? Bom, depois de ver alguns erros de arbitragem, com VAR e tudo...uma chegadinha na delegacia mais próxima pode ser um bom começo. Ah, e podem levar junto alguns comentaristas isentos de arbitragem. Profetas do passado. Astutos do óbvio.


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