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Porto Alegre (RS), terça-feira, 30 de junho de 2020.
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Tu / Você



Nos diálogos das relações pessoais e sociais, há dois pronomes em uso no Brasil: em algumas regiões, o preferencial é você; em outras, prefere-se tu. Este último é reconhecido como de uso exclusivo do gaúcho, quando, na verdade, é usado em diversas outras regiões do país. De outra parte, na sua origem, você é pronome de tratamento: começou como Vossa Mercê, passou por Vosmecê e acabou em você (juntando as sílabas inicial – vo – e final – – do tratamento).

Os pronomes de tratamento têm como característica o fato de serem de segunda pessoa gramatical, mas levarem o verbo e o pronome possessivo para a terceira pessoa, o que também se consagrou em relação a você, justamente por ser pronome de tratamento na sua origem.

O fato de exigirem a concordância em pessoas gramaticais diferentes ocasiona um dos erros de concordância mais presentes no uso da língua portuguesa em todos os níveis culturais. Um dos mais reconhecidos é aquele que se atribui ao gaúcho: usa o pronome de segunda pessoa, mas conjuga o verbo na terceira, como em tu viu, quando o correto seria tu viste; na escolha do pronome possessivo, normalmente acerta: teu amigo também. Outra versão do mesmo erro ocorre entre os que usam você em vez de tu: acertam na concordância do verbo: você viu, mas erram no pronome possessivo por usá-lo na segunda pessoa: teu amigo também, em vez de seu amigo também.

Nas comunicações formais, como na redação oficial, usam-se os pronomes de tratamento: Vossa Excelência (para altas autoridades) e Vossa Senhoria (para as demais autoridades e cidadãos em geral), entre outras formas de uso mais restrito. No uso do pronome de tratamento, outro erro se manifesta com frequência: em vez de usar o pronome possessivo de terceira pessoa (seu, sua, seus, suas), muitos optam, equivocadamente, pelo de segunda pessoa (vosso, vossa, vossos, vossas), induzidos ao erro pela presença de vossa no pronome de tratamento; exemplo: Vossa Excelência e vossa comitiva, em vez de Vossa Excelência e sua comitiva.

Como se conclui, o assunto requer atenção.


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