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Porto Alegre (RS), terça-feira, 14 de julho de 2020.

Serviços (in) eficientes de cama



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Segunda quinzena de agosto de 2019, época da Expointer de Esteio, fazendeiro do interior gaúcho, após ali tratar de assuntos comerciais, dá uma esticada nas bandas da avenida Farrapos, em Porto Alegre. No local escolhido, senta-se, pede uns “belisquetes” (azeitonas, amendoins, etc.) um destilado, e outros mais...

Já alegre, entretém-se libando com uma dama da noite. Ao alinhavar o programa, ela antecipa que “não aceita cartão”. Impasse: o provecto cliente só dispõe de dinheiro, em espécie, para pagar o táxi de volta ao hotel em que está hospedado, em São Leopoldo.

Conversando, estabelecem o pagamento antecipado com “cheque ouro do BB” – e, assim, a dupla ruma para o pernoite.

Na manhã seguinte – passado o ´efeito orloff´ - dando-se conta de quão alta fora a tarifa dos “serviços prestados de cama”, arrependido ante a iminente compensação do cheque de R$ 5.000 - o fazendeiro dá ordem ao banco para sustar a cártula.

A percanta, sentindo-se lesada, logo ajuíza ação no Juizado Especial, buscando o pagamento dos "efetivos serviços prestados de cama e entretenimento sexual". A contestação sustenta que “as tarefas do prazer carnal não foram proporcionadas na conformidade com o combinado”.

A jovem juíza leiga – de poucas horas no currículo – expõe o impasse ao eficiente juiz togado, que assume a solução jurídica da quizila.

- Deixa comigo! Nada de audiência de instrução para ouvir supostas testemunhas! Vou julgar antecipadamente! – assevera o ativo magistrado.

E assim, no mesmo dia sai a sentença que condena o réu ao pagamento do valor da cártula, “ante a efetiva prestação dos serviços, e cujo detalhamento não cabe aqui avaliar”.

Correção monetária a partir da data aposta no cheque; juros desde a citação inicial; negado o segredo de justiça pedido pelo réu. Sem recurso, há o trânsito em julgado e o débito é pago. “Arquivem-se os autos” – arremata o juiz.

O fazendeiro e seu advogado só se tranquilizam quando têm a certeza do arquivamento, convictos de que a controvérsia não tinha vazado para o Espaço Vital...

He, he, he...


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