Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira ,08 de novembro de 2019.

Serviços (in) eficientes de cama



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Segunda quinzena de agosto de 2019, época da Expointer de Esteio, fazendeiro do interior gaúcho, após ali tratar de assuntos comerciais, dá uma esticada nas bandas da avenida Farrapos, em Porto Alegre. No local escolhido, senta-se, pede uns “belisquetes” (azeitonas, amendoins, etc.) um destilado, e outros mais...

Já alegre, entretém-se libando com uma dama da noite. Ao alinhavar o programa, ela antecipa que “não aceita cartão”. Impasse: o provecto cliente só dispõe de dinheiro, em espécie, para pagar o táxi de volta ao hotel em que está hospedado, em São Leopoldo.

Conversando, estabelecem o pagamento antecipado com “cheque ouro do BB” – e, assim, a dupla ruma para o pernoite.

Na manhã seguinte – passado o ´efeito orloff´ - dando-se conta de quão alta fora a tarifa dos “serviços prestados de cama”, arrependido ante a iminente compensação do cheque de R$ 5.000 - o fazendeiro dá ordem ao banco para sustar a cártula.

A percanta, sentindo-se lesada, logo ajuíza ação no Juizado Especial, buscando o pagamento dos "efetivos serviços prestados de cama e entretenimento sexual". A contestação sustenta que “as tarefas do prazer carnal não foram proporcionadas na conformidade com o combinado”.

A jovem juíza leiga – de poucas horas no currículo – expõe o impasse ao eficiente juiz togado, que assume a solução jurídica da quizila.

- Deixa comigo! Nada de audiência de instrução para ouvir supostas testemunhas! Vou julgar antecipadamente! – assevera o ativo magistrado.

E assim, no mesmo dia sai a sentença que condena o réu ao pagamento do valor da cártula, “ante a efetiva prestação dos serviços, e cujo detalhamento não cabe aqui avaliar”.

Correção monetária a partir da data aposta no cheque; juros desde a citação inicial; negado o segredo de justiça pedido pelo réu. Sem recurso, há o trânsito em julgado e o débito é pago. “Arquivem-se os autos” – arremata o juiz.

O fazendeiro e seu advogado só se tranquilizam quando têm a certeza do arquivamento, convictos de que a controvérsia não tinha vazado para o Espaço Vital...

He, he, he...


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentário
Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Espaço Vital.

Se for advogado(a) ou estagiário (a), informe qual a sua Seccional da OAB e o número de sua inscrição.




Mensagem (Máximo 500 caracteres)
Não devem ser usadas palavras inteiras em maiúsculas.
Os comentários que estiverem escritos em letras maiúsculas e contiverem links serão rejeitados.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

A piscada do juiz

 

A piscada do juiz

A surpresa durante a audiência de uma ação de usucapião. Ao final do depoimento pessoal do réu, o magistrado piscou-lhe o olho e disse: “O senhor pode sair”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

A insólita arma do crime

 

A insólita arma do crime

O ineditismo de uma ação penal contra um caboclo que ficara esquecido no presídio. A acusação era por tentativa de homicídio: desconfiança (isso mesmo!) de que o réu lançaria uma cobra venenosa “surucucu-pico-de-jaca” contra o delegado de polícia de pequena cidade interiorana.

Charge de Gerson Kauer

Juiz do amor

 

Juiz do amor

Na sustentação oral em recurso derivado de uma ação de alimentos, o advogado suscita a suspeição de um dos magistrados: “O desembargador relator está na quinta esposa, tem cinco filhos, gasta grande parte do seu subsídio com pensões alimentícias”. O magistrado suscitado, então, invoca versos de Ivan Lins: “O amor tem feito coisas...”. O texto é de Carlos Alberto Bencke. (Aproveite para ver e escutar uma das performances do grande artista brasileiro).

Charge de Gerson Kauer

Uma menina especial

 

Uma menina especial

Pouco antes do encerramento da audiência de um processo de família, a agradável surpresa para o juiz: “Tio, posso lhe dar um beijo?” – indagou, sentada à cabeceira da mesa, a linda garota, 6 ou 7 de idade. Em seguida, ela deu a volta correndo pela sala e pregou os lábios na bochecha do magistrado, num beijo estalado e inocente. O texto é do juiz Eduartdo Buzzinari Ribeiro de Sá. 

Charge de Gerson Kauer

A preferência pelo cunhado

 

A preferência pelo cunhado

O caso de Sergipe que está causando perplexidade no STF traz à baila situação parecida ocorrida em cidade do RS. Marido e mulher – casados na conformidade com o Código Civil – acordaram em se divorciar, para que ele ficasse com o irmão dela. “Eu passei a ser provável ímpar personagem do Livro Guinness dos Recordes” – desabafou chorosa a jovem senhora de 32 anos.