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Edição de sexta-feira ,08 de novembro de 2019.
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Erros frequentes em notícias, petições, pareceres, sentenças e acórdãos



Charge de Renato Machado

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Sigo apresentando casos de erros envolvendo questões de concordância, tanto de gênero quanto de número:

- Haja visto o entendimento nacional... A expressão correta é sempre haja vista, porque se formou a partir do substantivo vista, e não da forma verbal visto.

- A autoridade disse que poderá faltar alimentos. Vamos achar o sujeito? O que é que poderá faltar? Resposta: alimentos. Portanto, só falta aplicar a máxima da concordância: o verbo sempre concorda com seu sujeito. Assim: A autoridade disse que poderão faltar alimentos. Aliás, basta ficar atento à reclamação do Word: em caso de digitação errada, ele vai marcar.

- Fazem trinta anos / trinta graus. Quando se refere a tempo, não importa se cronológico ou meteorológico, o verbo fazer é impessoal, ou seja, não pode ir para o plural. Portanto, corrija-se: Faz trinta anos / trinta graus.

- É preciso que hajam mudanças profundas no País. Assim como fazer usado com relação ao tempo, o verbo haver utilizado com os sentidos de existir e ocorrer também é impessoal. Portanto: É preciso que haja mudanças profundas no País. Caso se opte pelo verbo ocorrer, este não é impessoal: É preciso que ocorram mudanças profundas no País.

- É para mim fazer? Vamos perguntar: Quem fará? Resposta: Eu. Portanto, corrijamos: É para eu fazer?

- Isto é para mim? E agora? Agora o sujeito do verbo é Isto, enquanto mim tem função de complemento. Em outras palavras, enquanto eu tem função de sujeito, mim será sempre complemento.


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Algumas discordâncias

Um erro frequente é o que envolve questões de concordância, tanto de gênero quanto de número. “São bens de consumo durável”, “Essa garota vai fazer carreira rápida”, “Elas estão só no sacrifício”...

Tu / Você

“Nas comunicações formais, como na redação oficial, usam-se os pronomes de tratamento: Vossa Excelência (para altas autoridades) e Vossa Senhoria (para as demais autoridades e cidadãos em geral), entre outras formas de uso mais restrito”.

Chargista Brum

O poder das exclamações

 

O poder das exclamações

Há situações em que o uso da pontuação final é que define se é exclamativo ou afirmativo: É um gênio! / É um gênio. Optando pelo uso do ponto-final, é uma afirmação em que o autor realmente crê. Se a opção é pelo ponto de exclamação, traz-se significado contextual, de ironia, uma figura de linguagem em que se inverte o sentido primário da frase”.

Ordem direta e concordância verbal

“Escrevo sobre a primeira frase do Hino Nacional: ´Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante´. Vamos achar o sujeito: Quem ouviu? Resposta: As margens plácidas; como o verbo tem que concordar com o sujeito, só pode ser ouviram. Mas as margens ouvem? É claro que se trata de figura de linguagem

A posteriori / A priori

“Em a posteriori, subentende-se uma experiência com o apoio da qual, ou em decorrência dela, se realiza algo depois. Em a priori, as coisas se invertem: contém o sentido de algo que se realiza antes de uma experiência”.

A linguagem do futebol

“No final das partidas, é comum ouvir que o juiz deu minutos de desconto, quando na verdade acrescentou tempo. Mas, já foi pior, pois houve época em que, em vez de dizerem que o goleiro defendeu, garantiam ter atacado muito, como se atacante fosse”