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Porto Alegre (RS), terça-feira, 29 de setembro de 2020.
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Jogadores devem jogar!



Foto de ERNESTO BENAVIDES / Google Imagens

Imagem da Matéria

O treinador Jorge Jesus. Sorridente entre os atletas, durante um treino do Flamengo, em Lima

Escrevi, aqui no Jus Azul, o Evangelho Segundo Jesus. Lembro alguns mandamentos:

 É preciso ser intenso o jogo todo, marcando ou atacando;

• Jogador não precisa ser poupado de um jogo para render na partida seguinte;

 Futebol é jogo de contato - é do risco da profissão – porque futebol é profissão, não divertimento - ocorrer lesão, tanto no treino, no RACHÃO (um dos apóstolos colocou em caixa alta, não se sabe por que), ou no jogo;

• Jogador de futebol tem de fazer uma coisa que qualquer trabalhador faz: trabalhar, isto é, jogar.

O décimo mandamento: é indispensável que se tenha disciplina; jogadores passam por biometria, almoçam juntos, tem de chegar uma hora antes dos treinos, treino em dois turnos e diminuição da vida social dos atletas. (Fim do Evangelho Segundo Jesus).

Eis a fórmula que dá certo. Simples. Jogador joga. E o Flamengo fez assim. E disciplinou a tropa. Sem rachão. Treino. Muito treino. A vitória do Flamengo derrotou gente como Felipão, Mano, Renato (por razões diferentes das dos dois primeiros).

O Grêmio perdeu o Campeonato Brasileiro (por ele desprezado) para si mesmo. Perdeu pontos incríveis para times pequenos. O Flamengo perdeu só dois pontos (para o Goiás). O Grêmio perdeu a ´copa nordeste´ e patinou na ´copa catarinense´. E a ´copa baiana´ foi um desastre, se me entendem a alegoria.

Somem estes pontos perdidos, e verão onde está o furo. Para ganhar, tem de saber querer ganhar. E se esforçar. Jogar. Jogador...joga.

É constrangedor ver a comparação do time que poupou (Grêmio) com o time que não poupou (Flamengo). Ricardo Wortmann me ajuda nisso. Pablo Mari chegou no meio da competição e jogou 21 vezes. Geromel atuou 18, Kanemann 14.

Felipe Luiz chegou por último no Flamengo. Atuou mais do que Maicon. Rafinha chegou tarde e jogou o mesmo número de partidas de Alisson.

O goleiro Diego jogou 29 vezes. Paulo Vitor, 22.

Arrascaeta foi operado; jogou 19. Jean Pierre, com lesão no músculo, jogou só 10 partidas.

E só Everton salva a lavoura, com 27 partidas das 34.

O Grêmio depois da Libertadores fez campanha melhor que Flamengo. Foi eliminado de duas copas e agora luta para, de novo, disputar Libertadores. Vai dar certo. Porém, já antevejo a choradeira: “Ah, muitos campeonatos. Ah, temos de poupar. Ah, uma fisgadinha”...

Ah...vão se afumentar, digo eu.

O Flamengo mostrou que é possível ganhar o Brasileirão e a Libertadores. Ah, o Grêmio em 2017 ganhou a L.A. e a Copa do Brasil. Mas não é a mesma coisa. O campeonato mais longo e difícil é o Brasileirão – não fosse por nada, quantos anos fazem que a dupla Gre-Nal está no seco?

Flamengo se lamenta por não ter ganhado a Copa do Brasil. Simples. Porque é mata-mata. E, por detalhe, ficou de fora. Como o Grêmio. Como o Palmeiras. Como o Inter. Mata-mata dá nisso. Detalhes definem.

Pois então: não é melhor disputar tudo, já contando com o morrinho artilheiro, o detalhe? O que não se pode desprezar é o Campeonato Brasileiro.

Espero que o Evangelho Segundo Jesus seja lido e compreendido pelo Grêmio.

PS: será que a fisiologia carioca é diferente da fisiologia ´gauche´? A ver!


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