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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 18 de setembro de 2020.

Minhas decepções com a OAB de São Paulo!



Por Adriana Cristina Silveira Kuwana, advogada (OAB-SP nº 167.276).
drisilveira@aasp.org.br

Sou advogada militante há 20 anos. Tenho orgulho de minha profissão. Considero-me um soldado do Direito.

Sou aquela que está entre os primeiros no 'front" de batalha. Sujeita a baionetas, tiros, granadas e campos minados; tudo em prol dos meus clientes.

São defesas, ataques, interpelações... tudo ao meu alcance para melhor defender o direito e a justiça – o que me é garantido constitucionalmente.

Isto exposto, passo ao desabafo.

Um dia destes, recebi uma Intimação (via D.O.E ) remetida pela OAB-SP e, em um olhar mais atento, percebi que havia sido enviada pela tesouraria da entidade para diversos advogados. Eu estava relacionada por ter – dentre muitos - me esquecido de pagar parcelas do acordo - oriundo de inadimplência (não deliberada).

Confesso que fiquei estarrecida. Nunca fui bem tratada pela entidade de que tanto me orgulho de fazer parte e isto me pareceu uma nova afronta. Explico e enumero os motivos.

1 - Há cerca de dez anos fui destratada e achincalhada por um juiz durante a defesa de um cliente. Procurei meus direitos e, ao relatar o que ocorrera, recebi da estagiária (grifei) que me atendeu no Setor de Prerrogativas da Casa do Advogado de Santo Amaro (SP) a singela resposta: “Este juiz é chato mesmo, todo mundo reclama. É melhor não mexer pois ele não sairá dessa vara tão cedo”.

Tentei falar com um dos advogados dirigentes daquela subseção e soube que não era dia de plantão (!)...

Fui avante e resolvi o problema por meus próprios meios. Reverti a decisão e passei a ter em mente que pouco poderia contar com a entidade representante dos advogados.

Passou. Engoli.

2 -No início do ano corrente, entendi que precisava de meu órgão profissional novamente. Eu estava em uma 'briga' com o TJ-SP, por entender absurda a juntada de inquéritos policiais digitalizados aos processos criminais sem a assinatura das partes que tivessem participado do ato (policiais, autoridades, testemunhas, vítimas ou advogados). No meu entendimento isto geraria incertezas, dúvidas quanto à legalidade do ato e, no pior cenário, fraudes processuais.

Não esqueçam que estamos vivendo tempos bicudos.

Clamei ao órgão de classe a que tanto me orgulho de pertencer e, meses depois (após eu ter resolvido o problema por meus próprios meios) recebi um lindo Sedex com o timbre da OAB-SP contendo um texto sucinto e pouco claro, dizendo que não cabia razão ao meu apelo!

Sei que estou me alongando, mas tenho que questionar as ações do órgão que pertenço:

* O que eles estão fazendo por nós, os soldados?

* Por qual motivo estão permitindo que sejamos vítimas de preconceito?

* Por qual motivo nos abandonaram à própria sorte? Será que entendem que uma rara e tumultuada sessão de desagravo cura as feridas do 'front'?

Ainda que saibamos (por entendimento literal da CF/88) que somos indispensáveis à justiça, continuam a permitir que sejamos confundidos com nossos clientes, os réus - sejam eles acusados de delitos hediondos ou simples devedores de instituições financeiras que cobram juros extorsivos.

Infelizmente, tenho presenciado recém-formados que têm orgulho de passar na difícil prova da OAB mas não ostentam o mesmo sentimento quando se apresentam como advogados. As agruras relacionadas me fizeram questionar o grande poder concedido por meu Órgão de Classe aos tesoureiros, estagiários e recepcionistas que impedem nosso acesso àqueles que deveriam nos apoiar e ajudar e fomentar a defesa das nossas prerrogativas.

Concluí que tenho orgulho em ter soldados, como eu, por aliados, afinal é no ‘front’ que eles se ajudam. Os generais ficam distantes, longe das batalhas.

Quanto aos tesoureiros, estagiários e recepcionistas, com grande poder, usei do meu PRECONCEITO e os ignorei com a mesma veemência como fui ignorada por minha entidade de classe.


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