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Porto Alegre (RS), terça-feira, 26 de maio de 2020.
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Papo sobre feminicídio com Dr. Hannibal Lecter



Arte EV sobre foto Google Imagens.

Imagem da Matéria

Diante do insucesso das campanhas contra o feminicídio, autoridades buscam auxílio junto ao Dr. Hannibal Lecter, psiquiatra canibal que ganhou fama em filmes como “O Silêncio dos Inocentes” e que ajuda a polícia a traçar o perfil de homicidas procurados.

Adentrando ao Hospital Forense onde é mantido Hannibal Canibal, a agente brasileira se apresenta:

- Bom dia, doutor, sou a inspetora Maria das Dores, e preciso de sua ajuda para interromper uma onda de assassinatos de mulheres no Brasil.

Vaidoso, Hannibal se anima com a oportunidade de voltar às manchetes. E, com voz sinistra, cumprimenta a visitante:

- Hello, Maria. O que vocês sabem desse assassino?

- Não é um assassino específico – responde a inspetora. Trata-se de feminicídio, quando uma mulher é assassinada por razões da condição de sexo feminino. As ocorrências só aumentam, apesar das campanhas de prevenção.

- E como são essas campanhas?

- Pedimos para que as mulheres denunciem e reforçamos que elas são livres, independentes. E que lugar de mulher é onde ela quiser – e que depois do ´não´ tudo é assédio etc.

- E quanto ao perfil do nosso grupo de assassinos? Que tipo de indivíduo praticaria um crime desses? - induz Hannibal.

A inspetora Maria das Dores começa a entender a dinâmica proposta.

- Doentes, claro! – responde sem hesitar. São homens inseguros, possessivos, dotados de um ciúme doentio. Alguém abusado na infância ou traumatizado por relações frustradas.

- Sua campanha prega a liberdade social, profissional, sexual da mulher, certo? Como isso afeta o criminoso em potencial? Digo, o indivíduo inseguro, possessivo, ciumento, traumatizado, e com tendências homicidas, que você mesma descreveu.

- Parece que estamos tentando apagar o incêndio com querosene. Mas, então, o que devemos fazer? – Indaga a inspetora brasileira.

Sentindo-se em posição de superioridade - o que ele adora - Lecter encerra a questão, expondo seu parecer:

- Dirijam-se ao potencial agressor. Deem um canal para quem sofre de ciúmes se expressar, para quem se sente prestes a cometer uma loucura buscar conselho, segurança. Algo similar ao que já existe para prevenir casos de suicídio. Isso trará resultados.

- O quê? Depois de séculos de opressão à mulher, os homens agora querem compreensão? Carinho? Ah, para! O senhor está gagá, mesmo! Passe bem!

A inspetora evade-se pelo corredor, dando as costas para o senil doutor. Ele perde toda a dignidade ao seguir gritando:

- Maria! Se vocês continuarem fazendo as mesmas coisas, como esperam obter resultados diferentes? Para impedir a atuação de um psicopata você precisa entendê-lo!

Rejeitado, o velho psiquiatra começa uma reflexão:

- E pensar que quando descobriram que eu era um maníaco canibal, já me prenderam aqui, em vez de me darem todo o afeto de que eu precisava. Bem, de qualquer forma, fica a dica...


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