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Edição de quinta-feira , 27 de fevereiro de 2020.

Charging bull, o touro de New York



Municipalidade de New York

Imagem da Matéria

Era sexta-feira 13 – vejam bem a coincidência agourenta do calendário – quando, às cinco horas da tarde, a redação do Espaço Vital foi informada que, na reunião do Conselho Pleno da OAB gaúcha - então em plena realização - soara um alarme de inconformismo institucional com as posições do Conselho Federal da entidade.

O conselheiro estadual Itamar Antonio Moretti Basso – advogado estabelecido em Passo Fundo (RS) - pediu a palavra para conclamar os colegas a que pensassem sobre a postura adotada pelo presidente do Conselho Federal, advogado Felipe Santa Cruz, que “vem usando a entidade para fins político-partidários”. E sugeriu que os colegas reagissem.

Em seguida, Itamar Basso anunciou: “Vou propor que a Comissão de Orçamento e Contas da nossa Ordem gaúcha avalie a possibilidade de suspender os repasses dos recursos que são remetidos para a OAB federal”.

O presidente Ricardo Breier ouviu, mas tratou de evitar que se extendesse a peroração verbal de Itamar Basso. Este, ainda assim, concluiu com um recado contundente: “Tal postura se torna necessária em decorrência do desvio de finalidade da OAB federal, cujo presidente tem feito uso político do cargo – e ante isso não podemos nos omitir, nem como entidade estadual, nem como cidadãos”.

No domingo (15) pela manhã a equipe do Espaço Vital se reuniu para a pauta das duas últimas edições (a de hoje; e a de sexta, 20) antes das férias coletivas que começam na semana que vem. Quando os colaboradores do saite conferiram as cifras milionárias (R$ 104 milhões) da arrecadação do CF-OAB - e ficaram sabendo que, desse montante, 8,21% (R$ 8,5 milhões anuais, em média), são oriundos da advocacia gaúcha - a equipe fechou a ideia editorial.

“Prioridade na pauta para a possível reação gaúcha!” – propôs um dos articulistas habituais.

Temos que pedir que o Doutor Itamar escreva um artigo sobre a reação gaúcha” – sugeriu o estagiário da equipe.

O advogado passo-fundense foi, então, contatado por telefone e, atendeu ao pedido da redação. Preparou um artigo com 3.000 caracteres que enviou ontem (16) no final da manhã e que é destaque na edição de hoje.

Entrementes, o editor Marco Antonio Birnfeld – um fã do jazz de NYC, caminhante no Central Park, mas sempre distante de Wall Street – trouxe um potim sobre “o touro nova-iorquino em investida de reação” e logo a imagem foi aprovada: a web-designer Camila Adamoli faria as imagens pertinentes.

Preparada a presente edição – e posta no ar - esperamos que os leitores apreciem e que, em fevereiro de 2020, a proposta de Itamar Basso traga resultados. Afinal, a OAB não é um partido político!

Quem é o charging bull

O charging bull (traduzindo: touro em investida) é uma imponente escultura de bronze em formato de touro, fixada próximo à Wall Street, o maior centro financeiro dos Estados Unidos. Com 3,5 toneladas de peso e 4,9 metros de comprimento, se tornou um dos símbolos de New York, sendo comum encontrar filas de turistas esperando a sua vez para tirar uma foto com o touro.

A escultura foi concebida pelo artista italiano Arturo di Modica, como uma forma de celebrar o espírito empreendedor do povo dos EUA. Após um período difícil enfrentado na Wall Street durante a década de 80, o artista decidiu desenvolver a escultura em formato de touro, como um símbolo da coragem e virilidade necessárias para que os momentos de crise fossem superados.

Desde o dia em que a escultura foi colocada na cidade, primeiramente próxima à Bolsa de Valores de Nova York e logo em seguida no local próximo em que se encontra atualmente (em Bowling Green), ela atraiu um grande número de curiosos e foi destaque na imprensa internacional por sua grandiosidade.

A escultura representa um touro em posição de ataque, e simboliza um mercado financeiro pujante (“bull Market”). O escultor Modica idealizou a estátua após o ´crash´ da Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1987, a "segunda-feira negra", como um presente para a cidade, um "símbolo da força e poder do povo americano".

O artista gastou suas próprias economias, 360 mil dólares, na obra que foi instalada em 15 de dezembro de 1989 na Broad Street, em frente ao prédio da Bolsa de Valores. A escultura foi apreendida no dia seguinte pela polícia de Nova Iorque e levada a um pátio de veículos. O protesto público que se seguiu levou o Departamento de Parques e Recreação da cidade a reinstalá-la a dois quarteirões ao sul da Bolsa, em Bowling Green, com uma cerimônia oficial em 21 de dezembro de 1989.

O touro de Wall Street tem sido muitas vezes alvo de críticas a partir de uma perspectiva anticapitalista. Os protestos do “Occupy Wall Street” usaram-no como figura simbólica em torno da qual os manifestantes direcionaram suas críticas à ganância corporativa.

Por causa de manifestações, o touro esteve cercado por barricadas e guardado pela polícia até 2014. Atualmente, quem quiser chega nele. E pode livremente aproveitar as delícias da superstição: “Quem passa as mãos pelo seu chifre consegue atrair sorte e riqueza, e tem vigor para reagir contra abusos” – costumam dizer operadores financeiros de sucesso.


A PALAVRA DO LEITOR

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