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Porto Alegre (RS),sexta-feira, 29 de maio de 2020.
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Submissão por contrato



Arte EV sobre foto Visual Hunt

Imagem da Matéria

“Anastasia” desfilava pelos corredores da loja, esbanjando sensualidade.

O gerente comercial da empresa, leitor frequente do Espaço Vital, reconhece, a aproximar-se, a mulher retratada no Romance Forense da última terça-feira (04), que firmara com um advogado o contrato de Dominador e Submissa.

Percebendo que a bela mulher se encaminhava para o seu departamento, o gerente manda toda a sua equipe fazer um intervalo, planejando dispensar a “Anastasia” um tratamento “personalizado”.

Chegando lá, a consumidora dirige-se ao nosso herói:

- Bom dia, vejo que o senhor é o gerente, mas não há nenhum outro funcionário, aqui. Posso falar-lhe?

Dispondo de informação privilegiada sobre as preferências da cliente, o homem se aproveita:

- Pode falar quando e se eu mandar. Sou o gerente Grey e, nessa relação, sou o dominador! E você é a submissa.

O olhar da mulher revela a aceitação tácita do contrato de submissão, enquanto pressiona uma perna contra a outra, como que para conter seus impulsos. Com a língua, ela umedece seus lábios, comunicando o que, com palavras, o dominador não lhe autorizara a dizer.

Percebendo o arrebatamento da mulher pela sua viril autoridade, o gerente Grey logo prossegue com os atos de dominação:

- Submissa, agora você vai assinar esse termo aqui, obrigando-se a pagar juros 300% acima da taxa média de mercado. E não é só isso, o contrato prevê multa e encargos moratórios apenas para você, inexistindo ônus por descumprimento de nossa parte. Sabe por que? Porque você é insignificante.

A mulher se contorce de prazer e, ao tentar demonstrar sua submissão, deixa escapar um “Sim, senhor Grey”, ao que o gerente retruca:

- Eu mandei você falar, Submissa? Agora, para realizar esta compra, você terá que contratar também o seguro de dois anos e adquirir o cartão da loja. Agora você está autorizada a dizer “Sim, senhor Grey”.

Ante a anuência da “Anastasia”, o contrato é assinado e a mulher deixa a loja atolada em dívidas, mas com uma sensação de plenitude, ansiando retornar em breve.

Por sua vez, o gerente deixa os documentos assinados sobre a ilha de sua equipe que, retornando do intervalo, não acredita no que vê.

- Chefe, você conseguiu fazer alguém assinar o nosso Contrato de Adesão Padrão para Crediário com Venda Casada de Seguro e Cartão? - indaga um funcionário.

E o gerente, preocupado que estava com o alcance das metas desse ano, não poupa sua equipe:

- Vocês se queixam que não conseguem vender. Mas eu, em apenas 10 minutos, já fechei um contrato. É para verem que é possível bater as metas se vocês pararem de moleza e se empenharem! Bora trabalhar!

E silenciosamente, uma jovem vendedora olha para o chefe dominador e sussurra, em pensamento: “Que homem!”

Leia na base de dados do Espaço Vital

Ø Romance Forense: O Dominador e A Submissa

Ø A submissão de uma mulher a um advogado: o que o caso tem a ver com “50 Tons de Cinza”


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