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Porto Alegre (RS), terça-feira, 7 de julho de 2020.

E agora, José?



Charge de Gerson Kauer

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Por Carlos Alberto Bencke, advogado (OAB-RS nº 7.968)

Relembrando: para evitar escândalo maior, José Teutônico paga, religiosamente, pensão para o assessor que, de assessor não tinha nada, mas que fazia ´todas as vontades do chefe´, como costumava alardear pelos corredores legislativos. E ele sabia como ninguém usar a rádio corredor.

Agora, sem mandato, José Teutônico teve de livrar-se do pesado encargo que, antes, tivera uma ajudazinha dos cofres públicos. Para quê? O assessor ingressou em juízo para cobrar a dívida, dizendo-se dispensado pelo ex-político, mas sentia-se no direito de exigir o retorno da pensão. Afinal, tinham sido vários anos de intensa participação na vida amorosa do personagem.

A ação correu à revelia, pois José Teutônico não apareceu na audiência de conciliação. A sentença não poderia ser pior: considerou verdadeiros todos os fatos descritos na inicial e fixou o valor mensal da pensão na mesma proporção do que o assessor disse ganhar até há pouco. Quanto? Um salário de assessor, ora.

O leitor pensa que o episódio encerra o romance forense? Tem desdobramentos.

José Teutônico está muito doente. Inconformado e despreparado para pagar tão alta quantia mensalmente, quer anular o processo, pois quem assinou o aviso de recebimento da citação foi ninguém menos que seu atual cuidador.

Pois o cuidador descuidou-se, perdeu a carta e não avisou ninguém.

E agora, José? Como disse Carlos Drumond de Andrade: “Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode”.

Pra amenizar, um convite ao leitor: clicar no play abaixo e escutar o pernambucano Paulo Diniz cantando – e se acompanhando ao violão – os versos musicados.

Entrementes, a rádio corredor está em plantão permanente para descobrir detalhes do próximo capítulo do rumoroso caso.


A PALAVRA DO LEITOR

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