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Porto Alegre (RS), terça-feira, 30 de junho de 2020.
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A sentença papal



Montagem EV sobre foto de Roberto Stuckert

Imagem da Matéria

O coroinha era fã número um do popular Papa Francisco, mas, recentemente, ao ver o Sumo Pontífice ser alvo de inúmeras críticas, o menino não se contém e interpela o Santo Padre, em plena Basílica de São Pedro.

- É verdade que Vossa Santidade recebeu, aqui no Vaticano, um criminoso condenado do Brasil?

E o Papa, com a “paciência de Jó” inerente à sua posição, entende ser este um momento crucial na formação cristã daquele jovem e decide não desperdiçar a oportunidade:

- E você vê algum problema nisso?

O menino, então, desabafa, revelando-se envergonhado em razão das palavras que vários críticos brasileiros dispararam contra a Igreja Católica e, especialmente, contra o seu chefe.

Aquele homem foi condenado pela Justiça Brasileira! Ele é culpado! Não podemos ser vistos andando com ele! – esbraveja, inconformado, o menino.

- Mas a Igreja não é apenas para os inocentes, meu filho – diz o papa, com doçura. Todos têm lugar aqui, não importa que furo tenham dado.

Francisco sorri por dentro, ao perceber o duplo sentido das palavras, mas não faz nenhuma emenda, pois a frase era verdadeira, qualquer que fosse a interpretação.

É evidente que a pureza do menino não lhe permite perceber qualquer malícia na sentença papal. Por isso, ele prossegue, em tom inquisitório e com os olhos marejados:

- Mas e a nossa imagem perante os fiéis? Estão dizendo que somos coniventes com postura de bandidos...

E diante de tal reação, Francisco assume sua condição de sucessor de São Pedro para pregar:

Você mesmo disse que essa pessoa já foi condenada pela justiça terrena. Acaso Jesus, crucificado, não pediu perdão ao Pai para os seus executores? Ele não disse ´Amai-vos uns aos outros como eu vos amo´ (João, 15:12)? E você nos pede para dar as costas a este homem?

As faces de Francisco ruborizam-se instantaneamente. Pelo visto, hoje será difícil de fugir dos trocadilhos.

Percebendo tal fato, mas imbuído do espírito pastoral, o Santo Padre decide abraçar os termos de duplo sentido, por entender que se destinam a uma finalidade pedagógica, mais elevada:

No Brasil, recentemente, está todo mundo dando furo. O próprio Presidente, recentemente, deu um baita furo, assim como o seu principal ministro. Tudo isso está perdoado, aos olhos de Deus. Aliás, que “atire a primeira pedra quem nunca deu algum furo”, diria ele se estivesse aqui.

Como o Papa esperava, o menino não maliciou em nada suas palavras, atendo-se à mensagem cristã. E colocando-se, finalmente, em seu lugar, ele indaga ao Santo Padre:

- E como Vossa Santidade consegue perdoar a todos?

E Francisco deixa escapar um suspiro antes de responder:

- Normalmente não é tão difícil. Mas com os brasileiros, ultimamente, vou te contar... o furo é mais embaixo.


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