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Porto Alegre (RS), sexta-feira,
03 de abril de 2020.
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A revelação da história ´LGBT Mais´ abre armários na política britânica



Arte EV sobre foto de Neil Hall / Reuters - Google Imagens (2017)

Imagem da Matéria

Na disputa pela liderança do partido Liberais Democratas, a deputada Layla Moran começou 2020 com uma dupla revelação: está em uma “relação feliz e estável” com uma mulher, e, embora garanta não acreditar em rótulos, se considera “pansexual” - que os dicionários definem como “pessoa que sente grande atração por alguém ou mantém relações sexuais com indivíduos de todos os sexos”.

Em outros tempos, Layla teria ido parar na cadeia. Manter relações homossexuais foi crime na Inglaterra e no País de Gales até 1967. Na Escócia e na Irlanda do Norte, até 1980 e 1982, respectivamente.

Outros 44 dos 650 colegas da deputada com assento na Câmara dos Comuns identificam-se abertamente como homossexuais - são 7% do total. É a maior proporção declarada no mundo em um parlamento, orgulha-se a Casa, que acaba de anunciar, para marcar o mês da História LGBT no país, visitas guiadas de 90 minutos para contar a história gay por trás da política britânica ao longo dos séculos. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, na edição de 23 de fevereiro (domingo de carnaval), em interessante reportagem assinada pela jornalista Vivian Oswald.

O texto acrescenta que o documento oficial sobre o novo tour temático revela muito dos novos ventos que sopram no Reino Unido: “Com o maior número de parlamentares que se identificam como LGBT Mais, o Parlamento britânico tem se considerado um dos mais gays do mundo”. A procura por ingressos foi tão grande que os responsáveis pela novidade viram-se obrigados a aumentar a frequência das visitas.

— Espero que possamos aproveitar esse momento para avançar mais e nos tornarmos defensores ainda melhores de membros do Parlamento e colegas LGBT+ no futuro - escreveu o presidente da Câmara dos Lordes, Lorde Fowler. No texto ele prefere grafar o Mais com um instigante sinal (+) aritmético de soma.

As idas e vindas das leis contra a homossexualidade foram muitas nas últimas centenas de anos. No século 12, o rei Henrique I estabelecera novas penalidades para “aqueles que cometessem o vergonhoso pecado da sodomia”.

Ao longo do passeio que está virando “hit” em Londres, visitantes britânicos e estrangeiros descobrem quanto de História se varreu para debaixo dos imensos tapetes dos palácios da política dali, como em qualquer outro lugar do mundo, e que agora se trata com naturalidade.

Há rumores de que o rei Ricardo I (1189-1199), ou Ricardo Coração de Leão, como ele preferia ser chamado, teria sido íntimo do rei Filipe II, da França. E foi sob o reinado de Henrique VIII (1509-1547) — que, para poder se divorciar, rompeu com o Vaticano e fundou a religião anglicana — foi introduzido o “Buggery Act” (1533), a partir do qual se consideravam crimes todas as atividades sexuais não reprodutivas. A lei foi revogada por Maria, a sanguinária, e restabelecida por Elizabeth I.

São muitas as histórias que saíram das várias alcovas reais, ou não, e acabaram por influenciar a vida política do Império Britânico. Muitos sabem algumas coisas sobre a rainha Ana, interpretada recentemente pela atriz britânica Olivia Colman, no filme “A Favorita”. Ana teria sido manipulada por Sarah Churchill, a duquesa de Marlborough, com quem dividia confidências e a vida amorosa.

O turista que assiste o tour gay da LGBT Mais (ou, LGBT+) descobre ainda como a legislação vitoriana afetou a vida de pessoas como o escritor Oscar Wilde, como se desenrolou a campanha para mudar a lei na segunda metade do século XX e o impacto da aids nos anos 1980.

Em discurso recente, o primeiro-ministro Boris Johnson, um notório conservador, falou do que chamou de melhores valores britânicos, “da democracia ao Estado de Direito, do livre comércio à liberdade de expressão, à liberdade de amar quem você quiser”. Foi o Partido Conservador que apresentou a proposta e aprovou o casamento gay no Reino Unido.

O primeiro parlamentar a sair do armário no Reino Unido foi o trabalhista Chris Smith, em 1984, mesmo ano em que se declarou gay o primeiro deputado conservador, Matthew Parris. Em 2006, foi a vez de Margot James, a primeira deputada conservadora a se declarar lésbica.

Desde a eleição do ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair, de quem Smith foi ministro da Cultura, reformas voltadas para atender os interesses da comunidade LGBT têm avançado no Parlamento. Foi reduzida para 16 anos a idade de consentimento para relações heterossexuais e homossexuais; foi suspensa a proibição de gays nas Forças Armadas; e houve a aprovação da lei que prevê o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2013.

No mesmo ano, a rainha Elizabeth II concedeu o perdão póstumo ao matemático Alan Turing, que 60 anos antes havia sido condenado por atentado ao pudor grave por ter mantido relações com um homem de 19 anos. Alan foi submetido à castração química. Em 1954, ele suicidou com cianeto.

Em 2017, Elizabeth II assinou a Lei Turing, concedendo indulto a 49 mil homens condenados no passado no Reino Unido por serem homossexuais ou bissexuais.

Conformações políticas e constitucionais

Da redação do Espaço Vital

O Reino Unido é uma união política de quatro "países constituintes": Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. O governo é regido por um sistema parlamentar, cuja sede está localizada em Londres (a capital), e por uma monarquia constitucional que tem a rainha Elizabeth II como a chefe de Estado.

Embora o Reino Unido, como um Estado soberano, seja um país, Inglaterra, Escócia, País de Gales e (mais controversa) a Irlanda do Norte também são consideradas "países", embora não sejam Estados soberanos. A Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte possuem um governo próprio, embora limitado pelo Parlamento Britânico.

O termo Grã-Bretanha é muitas vezes usado como sinônimo para o Reino Unido. No entanto, este refere-se à região geográfica da ilha da Grã-Bretanha ou, politicamente, a combinação de Inglaterra, Escócia e País de Gales.

Leia a reportagem completa, diretamente na edição virtual do jornal O Globo


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