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Porto Alegre (RS),sexta-feira, 29 de maio de 2020.
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Detona Vírus: a moléstia dos advogados



Arte EV sobre foto de Andrew Hardacre - Visual Hunt

Imagem da Matéria

A imprensa aguardava ansiosa pela entrevista coletiva anunciada por uma qualificada equipe médica que dizia ter identificado uma gravíssima epidemia. Trata-se de um vírus altamente contagioso que não é novo, mas somente agora foi identificado pelos cientistas que já buscavam, há anos, as causas de uma estranha doença que acomete apenas advogados.

O chefe da equipe é o primeiro a falar:

- Descobrimos um microrganismo que prejudica a saúde física e mental dos advogados, causando, ainda, seríssimas consequências à administração da justiça e danos irreparáveis à sociedade. Por causa dos seus sintomas e potencial destrutivo, o denominamos de Detona Vírus.

Uma médica da equipe - coincidentemente de traços orientais e usando máscara - prossegue com as explicações:

- Trata-se de um vírus extremamente poderoso e contagioso. Para que um advogado se contamine, basta manter contato profissional com outro advogado infectado. Estudos demonstraram que os causídicos saem da faculdade saudáveis, e alguns acabam adquirindo a doença, normalmente, já em sua primeira audiência.

Um dos repórteres indaga quais os sintomas da moléstia, ao que o chefe da equipe médica responde:

- A doença ataca o sistema nervoso central do paciente, causando a distorção do conceito de sucesso.

Percebendo que os presentes não percebiam a gravidade de tal quadro, o cientista esclarece:

- Para uma pessoa saudável, sucesso é obter um resultado favorável. Para um portador do Detona Vírus, sucesso é causar no outro advogado a sensação de derrota, independentemente das consequências para o enfermo e/ou seu cliente. Isso faz com que os advogados deixem de fazer acordos razoáveis, tratem-se sem cordialidade, que apresentem defesas sem nexo, só para não dar o braço a torcer. O quadro se agrava ainda mais, caso o hospedeiro tenha contato com portadores de juizite. Daí as consequências são desastrosas.

O médico explica ainda que advogado exposto ao vírus sai da audiência ansioso por passá-lo adiante. E que, assim, os profissionais acabam prejudicando os seus próprios clientes, desunindo-se como classe e abarrotando o Judiciário com demandas que poderiam ser facilmente resolvidas.

E prossegue o médico:

- Tal comportamento, ao ganhar escala, prejudica o Estado Democrático de Direito, fazendo com que os cidadãos comecem a preferir que alguns procedimentos sejam realizados sem a intervenção de um advogado, o que é nocivo à sociedade. Por isso é tão importante, embora muito difícil, conter a epidemia.

- E já há tratamento para essa doença? – indaga uma jovem repórter.

- Liguem para os seus advogados e reforcem a confiança que vocês depositam neles. Demonstrem respeito e admiração pelo seu trabalho. Coloquem os honorários contratuais em dia. Assim vocês estarão reequilibrando o sistema nervoso desses valiosos profissionais - afirma o chefe da equipe médica, arrematando que “este é o tratamento!

E alguém da plateia questiona:

- Não serve antibiótico?...


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