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Porto Alegre (RS), terça-feira, 30 de junho de 2020.
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Fossem juízes, seriam impedidos de julgar: isso é IVI !



Reprodução de capa do jornal Zero Hora

Imagem da Matéria

Há um dispositivo no Código de Processo Penal e um no Código de Processo Civil que dizem que, se o juiz tem interesse na causa, não pode julgar. É suspeito. Bingo. Aplicados na área da crônica desportiva, restariam poucos “julgadores”.

Mas, observe-se: os códigos longe estão de exigir neutralidade. O que ele exige é “fairness” (equanimidade no tratamento das partes). Simples assim.

E isso não ocorre no RS. Ao contrário. Desde a década de 40 do século passado, como bem denuncia pioneiramente o Ricardo Wortmann - que inventou a sigla IVI - Imprensa Vermelha Isenta - não há equanimidade. Não há “fairness” por aqui.

Fácil de perceber. Correio do Povo do dia seguinte à rodada da Libertadores: Inter aniquila Universidade Católica em jogo de alta voltagem; ao lado, menor, Grêmio estreou com vitória fora de casa. Coincidência? Há centenas, milhares de elementos objetivos no tratamento desigual, como na capa da Zero Hora, acima reproduzida. Fosse no Direito, a suspeição seria evidente.

A propósito, Mauricio Saraiva quase todos os dias dá mostras na ZH de que ele teria, fosse em um processo judicial, contra si levantada a evidente suspeição. Vem aí o Gre-Nal da Libertadores. Que só sairá, segundo a IVI, porque o Inter passou pela Pré, que na verdade, para a IVI, era já Libertadores.

E lá vem a história dos Gre-Nais. A IVI traz o 5x2 do Fabiano e o Gre-Nal chamado de “o do século”. Aguardem que ele vem esta semana. Saraiva já escreveu uma página toda com a manchete: Gre-Nal Antológico. É? E os 5x0? E os 3x0 recentes? No fundo, a IVI gostaria até mesmo de inverter a sigla Gre-Nal para Nal-Gre.

Mas, tem até gremista dizendo “isso de IVI não existe”. É verdade. Ela é como chifre. Você não sente, mas alguém pôs na sua cabeça.

Enquanto isso, lembro-me de Renato no banco contra o Flamengo. E Tonho era titular. Renato, jovenzinho, no banco quanto tempo... Depois Arthur, pateticamente banco, tendo quase ido embora. Quantos talentos perdidos. Quantos talentos tardios.

Não é fácil ser jovenzinho no Grêmio. Tem um ministro do Supremo que é duríssimo com pequenos ladrões de chinelos e coisas do gênero. Teve uma infância pobre. Talvez, inconscientemente, puna, hoje, aqueles que não foram fortes como ele. Vai saber.

Já Renato, por ter sofrido no banco, parece que está punindo jovens como se fosse uma espécie de troco pelo que ele passou. Só que isso está invertido. Ele deveria, por sido banco e preterido por medíocres, mostrar, hoje, aos mais jovens, que aquilo que fizeram com ele não se faz.

Enfim, vai saber o que se passa na cabeça das pessoas.

Bueno: quinta-feira vai ser de arrepiar. Temos de fazer valer o fator “casa”.


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