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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Ainda o coronavirus: dias piores virão!



Foto de Raul Pereira

Imagem da Matéria

PONTO UM:

O mundo está se fechando: China, Itália, Alemanha, Espanha, com ordens explícitas de manter a população isolada em suas casas, em alguns casos com sujeição a multas. Cancelamentos de eventos nacionais e internacionais, no esporte, nas artes, em congressos. Estados Unidos cancelando voos da Europa, empresas aéreas norte-americanas (American Airlines), por esponte próprio, cancelando voos para a América do Sul. Voos internacionais ainda mantidos, mas viajando com aeronaves vazias.

Máscaras e luvas esgotadas no mercado. Manifestações de esclarecimento vindas do Ministério da Saúde e de entidades médicas orientando a população sobre sintomas e providências. Claro que no meio desta parafernália também fake news circulam, fazendo um desserviço e desinformando a população, mas infelizmente nem na tragédia o homem deixa de ser destruidor, predador, exercer sua maldade.

Mas a maldade é a exceção. Não é com ela que nos preocupamos. É com a ignorância (em seu sentido estrito: não conhecimento!). Às vezes nos passa a ideia que estamos voltando à Idade Média: “vacina faz mal”...

Prática de higiene das mãos inadequada, exigindo reaprendizado. Abraçar-se e beijar na face é manifestação de carinho e o contrário é má educação. A pandemia é um movimento econômico inventado pelos chineses para destruir o ocidente. A terra é plana e outros absurdos que nos infectam mais que o próprio vírus.

PONTO DOIS:

Duas demonstrações recentes em nosso país desse movimento anticultural. Aqui em Porto Alegre, o primeiro Gre-Nal da Libertadores. Que me perdoem os gremistas (sou torcedora do imortal tricolor, e não fui ao jogo) e os colorados: a sabedoria (= conhecimento) deveria ter prevalecido e o jogo transferido. Pelos resultados? Claro que não. Mais de 50 mil pessoas lá estavam, sujeitando-se à infecção e/ou transmitindo o vírus. Ele já chegou no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre.

O evento veio ao desencontro de toda e qualquer orientação científica em termos de uma pandemia/epidemia já definida, no Brasil, como de transmissão comunitária: ou seja, mesmo, se fosse o caso, que fechados os aeroportos e outros pontos de entrada no pais, já cultivamos o vírus em nosso território.

E, considerando o tempo de incubação do vírus (de 7 a 14 dias, embora alguns estudos apontem período mais elástico), se desconhece a extensão das consequências deste evento futebolístico no que diz com a contaminação e o número de infectados.

No domingo último (15) milhares de pessoas em algumas capitais foram às ruas, todas grudadas umas nas outras (conforme recomendação dos órgãos de saúde, a distância entre as pessoas que precisam ir à rua é de um metro de distância).

Desimporta o motivo (não é este que estamos comentando). Importa a aglomeração. E o que é pior, com o aval do Presidente, que, lamentavelmente, deu um péssimo exemplo, revisando a sua (correta) posição anterior que recomendava a suspensão dos movimentos, quando compareceu para cumprimentar os manifestantes.

De tudo isso, uma triste certeza: dias piores virão!


A PALAVRA DO LEITOR

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