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Porto Alegre (RS),sexta-feira, 29 de maio de 2020.
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Vírus, bactéria, germe, bacilo, peste...



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    O COVID-19 é causado por vírus, como todos sabem. Diversos leitores do Escreva Direito perguntam por que é chamado de vírus e pedem para esclarecer a diferença entre vírus, bactéria, germe, bacilo e peste. Vou tentar fazê-lo da forma sintética, sem pretensão de rigor científico, até porque não tenho formação na área.

    VÍRUS: A palavra vírus já era usada no século 18 com os sentidos de veneno e pus, assumindo o significado atual no final do século 19, período em que surgiram novos vocábulos, como bactéria, germe, bacilo, peste, entre outros menos votados. Antes disso, no século 17, o holandês Leeuwenhoeck chamava-os de “animaizinhos”, seguindo-se a denominação “micróbio” (micro = pequeno; bios = vida, ou seja, pequena vida), denominação genérica usada até hoje.

    O uso da palavra vírus se difundiu de forma acelerada e difusa, a ponto de certas doenças de origem incerta serem chamadas de viroses, mesmo no meio médico. Estendeu-se ao revolucionário mundo da tecnologia da informação, em que as coisas viralizam, ou seja, difundem-se rápida e intensamente. Os próprios hackers atuam espalhando os famigerados vírus eletrônicos no mundo da computação. Como se pode deduzir, a difusão rápida e intensa é característica marcante no conceito moderno de vírus.

   BACTÉRIA: Trata-se de um micro-organismo essencial no processo de decomposição de matéria orgânica, havendo subespécies patogênicas. O vocábulo difundiu-se a partir das descobertas do biólogo francês Luis Pasteur, que possibilitaram a pasteurização, que impede a ação das bactérias. Comparando com os vírus, ambos causam doenças, às vezes fatais, mas do ponto de vista biológico são diferentes, pois enquanto bactérias são organismos vivos, vírus não passam de partículas infecciosas.

   GERME: É o estágio inicial do desenvolvimento de qualquer organismo, podendo ser patogênico ou não.

  BACILO: É o nome dado às bactérias em forma de bastão. Os bacilos ficaram famosos por causarem doenças como a tuberculose, cujo agente é mais conhecido como bacilo de Koch. Há alguns anos, o Bacillus anthracis, que transmite a letal infecção antraz, ganhou notoriedade como arma bacteriológica na mão de terroristas. Mesmo assim, a grande maioria dos bacilos, como os outros tipos de bactérias, não são nocivos.

   PESTE: A rigor, peste é a denominação dada à doença infectocontagiosa provocada pelo Bacillus pestis, transmitido ao homem pela pulga do rato, que acarreta grande mortandade, como foram os casos das pestes bubônica, negra e suína. Devido ao seu alto grau de destruição de vidas, o uso da palavra peste se alastrou, passando a denominar tudo o que não presta, sendo usada até mesmo em relação a inocentes crianças: “Este menino é uma peste”. É mais um rico exemplo de polissemia.

“Era uma vez...”

       Leitor pergunta qual a forma correta: “Era uma vez 20 advogados de 12 comarcas diferentes”, ou: “Eram uma vez ...”. A origem dessa forma está nos contos de fadas, que sempre começam assim: “Era uma vez... duas princesas...” Por que era, e não havia? Porque, convenhamos, havia não seria forma adequada para crianças; em seu lugar, optou-se por era; portanto, este era na verdade significa havia, do verbo haver impessoal (quando tem o sentido de existir ou ocorrer), assumindo inclusive sua impessoalidade. Portanto, o correto é: “Era uma vez 20 advogados de 12 comarcas diferentes”.


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