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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 14 de agosto de 2020.
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O Inter e a possibilidade de um rombo de R$ 30 milhões na receita do ano



Edição EV sobre foto Freepik

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O futebol está na U.T.I. , e há quem afirme que sairemos da pandemia diferentes de quando entramos.

Talvez sim e talvez não. Durante a crise, nos momentos difíceis, diante dos receios e do medo, juramos mudanças de comportamento. Mas, como nos ensina a experiência, retomada a normalidade, o que nos impactou é novamente banalizado.

Não é nenhuma novidade o fato de que muitas comunidades carentes não contem sequer com o abastecimento de água para que os seus moradores possam tomar banho, lavar as mãos, a roupa e a casa. Estão impedidos dos hábitos sanitários mais elementares e fundamentais para evitar a proliferação do inimigo invisível. O que já existia antes, muito provavelmente continuará existindo, banalizado pelo cotidiano.

Assim também é com o futebol. Temos a ideia de um futebol de grandes clubes e de jogadores com salários de milhares ou até milhões de reais. Um cenário de glamour, cercado de sucesso e de oportunidades.

Mas e o restante? Os clubes das séries B e C e o futebol feminino têm jogadores e jogadoras com contratos de até seis meses, com remunerações que podem ser contadas em salários mínimos, geralmente atrasados. Foram várias as oportunidades em que me deparei com a situação de jogadores que colacionavam nos autos de processos uma série de cheques sem a devida provisão de fundos – salários e rescisórias.

A CBF em boa hora, aportou recursos do seu caixa para auxiliar os pequenos. Por seu turno, os grandes clubes, enfrentam o fantasma da suspensão, cancelamento ou redução dos pagamentos em razão de patrocínios e televisionamento.

O Internacional convive com a possibilidade de um rombo de R$ 30 milhões na sua receita deste ano. A americana Turner Broadcasting, responsável pelo televisionamento dos jogos do Brasileirão pela Tv Interativa já está inadimplente. O contrato em tela foi firmado na gestão Piffero, aquela que tantos dissabores nos trouxe.

As situações mais confortáveis são a do Flamengo e a do Palmeiras. Todos os demais são obrigados pelas circunstâncias a adotarem medidas rígidas pois as sequelas na atividade serão muitas. Os limites dos recursos e do comprometimento futuro - que antes da pandemia eram cirurgicamente driblados - hoje batem à porta.

É verdade que contando, como sempre, com a paixão do torcedor, a solução será mais rapidamente encontrada. O problema é que segundo previsões, todos nós sairemos diminuídos da crise do coronavírus, onde se inclui a capacidade de consumo.

Na dificuldade sempre surgem exemplos dignificantes de solidariedade. Por aqui, o do nosso eterno capitão Dunga. Em um esforço pessoal arrebanhou toneladas de alimentos para doar à população carente. Jogada de craque, de cidadão responsável!

Paralelamente, verificam-se as dificuldades dos clubes em reduzirem, temporariamente que seja, os ganhos dos jogadores. Não há trabalho, logo o salário e o direito de imagem poderiam ser sensivelmente reduzidos em auxílio ao empregador que não conta com recursos suficientes para mantê-los.

Seria imprescindível a unidade dos clubes para o alcance de um novo patamar de convivência. O mínimo que poderíamos almejar seria o abandono das práticas predatórias na disputa pela contratação de atletas e treinadores. Sabemos o quanto é difícil, mas temos como paradigma a grande evolução que foi para o futebol a criação do Clube dos 13, comandado pelo memorável Dr. Fábio Koff.

É mudar ou eternizar métodos que fracassaram.


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