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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.

O foro e os galináceos



Edição EV sobre foto Visual Hunt

Imagem da Matéria

Por Sérgio Souza Araújo, ex-escrivão do 7º Cartório Cível de Porto Alegre. sergiosouzaaraujo@gmail.com

Momento crucial e de isolamento compulsório, ruim, mas, essencial para a saúde de todos nós. Ficar em casa é condição imperativa. O que fazer em tais circunstâncias? Ler, ir ao supermercado comprar comida, acessar o caixa-eletrônico bancário, dormir (haja sono!), ouvir música, assistir televisão, comer, mexer na pequenina horta, tecer breves comentários nas redes sociais acerca de artigos jornalísticos, e escrever textos para disponibilização no meu blog Temática Cível, no Facebook e - nesta sexta-feira (17) convidado no Espaço Vital.

Exercícios ao ar livre - caminhadas diárias - por decreto municipal foi determinado que não se pode mais. E, dessa forma, o dia parece ter muito mais do que 24 horas, considerando que anda mais devagar do que minhas duas velhas tartarugas. E com esse vagar temporal as lembranças afloram meio que desordenadamente, misturadas e enroladas numa mixórdia cerebral.

E nesse intrigante jogo memorial, veio-me à recordação a breve passagem que tive pelo Foro Central de Teresina (Piauí) no período de 9 de março a 22 de abril do já distante ano de 2009. E lá, testemunhei caso inusitado e pitoresco.

Esclareço que minha ida deu-se em virtude de convocação - sem possibilidade de recusa - feita pelo então Presidente do Conselho Nacional de Justiça de modo a integrar e fazer parte do Grupo Volante criado para atuação e orientação junto a cartórios cíveis daquela comarca.

Não obstante os dias extremamente calorentos, os trabalhos desenvolveram-se a contento. Os servidores piauienses sempre colaboraram com nossa equipe e foram receptivos aos posicionamentos apresentados sobre a atuação das serventias judiciais.

Pois bem, certa manhã ao chegar no Foro da capital do Piauí deparei-me, à entrada do prédio, com um cidadão que oferecia à venda alguns belos galináceos de sua propriedade. Eram seis aves de cores distintas, amarradas pelos pés e vivas.

O homem piauiense indagou-me se queria comprá-las, ao que lhe respondi negativamente. Voltou a insistir, propondo-me levar três aves por dez reais. Mantive a recusa, e para encerrar o assunto e não parecer grosseiro, disse-lhe que “mesmo que quisesse não poderia fazer negócio porque moro longe, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul”.

Ele, não se deu por vencido e garantiu: “Não tem problema, moço, porque as bichinhas aguentam a viagem”.

Onze anos depois, usando a Calculadora do Cidadão - disponibilizada pelo Banco Central - concluo que o preço da barbada nominalmente corrigido corresponderia hoje a R$ 18,85. E já calculando os juros legais, as três galinhas teriam me custado, R$ 41,74 a valores atuais.

Esclareço que, obviamente, o negócio não se concretizou.


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