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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 14 de agosto de 2020.
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Adeus, Tobias Colorado!



O destino, quase sempre por obra do acaso, tem a capacidade de criar situações que assumem relevância na nossa vida. Há exatos onze anos, ganhei da minha filha um bulldog inglês, o Tobias.

Alguns idealizam um animal doméstico exclusivamente a partir do lúdico. Nossos amigos exigem muitos cuidados, mas nos retribuem com um carinho difícil de mensurar e que se torna indispensável.

Álbum de família

O Tobias teve o comportamento de um verdadeiro lord inglês, tanto na vida como na morte. Comportamento discreto, personalidade marcante e com um olhar que falava muito. Nos entendíamos, ele funcionava como um receptor do meu íntimo. Em várias ocasiões, nesse funil que é a vida, onde desde o nascimento perdemos um por um dos nossos afetos, foi ele que esteve ao meu lado. Onze anos de muita dignidade e amizade.

O tema parece pueril, mas não é, pois a convivência com os cães nos ensina muito. Desde os dois anos de idade sempre tive um cão como companheiro e percebi o quanto eles são especiais. Cada qual, guardada as suas especificidades, ao seu jeito.

Tôco, Fanny, Paco, Napoleão, Piteco, Duda e Tobias passaram pela minha vida marcando enorme importância. Mas repito, o Tobias foi definitivo! Se é possível, nossas almas eram gêmeas.

Assumi o futebol do Internacional justamente quando ganhei o Tobias. Naquela época, aqui no RS, rompi a barreira de que o dirigente tinha que se esconder do torcedor. Criei uma conta de twitter, que alcançou mais de 16 mil seguidores, à época uma iniciativa singular e onde estabeleci uma interlocução produtiva com os colorados. Meus posts davam conta do meu dia a dia no clube. Graças a isso e, por me encontrarem nos parques, supermercados e postos de combustível, descobriram o Tobias, que logo virou o Tobias Colorado.

Um sócio do Inter enviou uma mensagem, apresentando-se e avisando que criara uma conta nas redes sociais, junto com o seu filho que à época contava com dez anos de idade, denominada “Tobias Bulldog”, A partir daí surgiram outras tantas –

Tobias Colorado, Tobias Siegmann... - e ele passa a ter “voz” relevante sobre o futebol e política do Internacional.

Após a minha queda como vice-presidente, onde deixei clara a minha divergência que não era pequena, na conta “Tobias” passaram a ser postadas mensagens de apoio. Alguns imaginavam que era uma estratégia política: usar o Tobias como uma espécie de pseudônimo. Atacar, tendo à frente a conta do Tobias.

Sempre afirmei que se me conhecessem, jamais imaginariam que eu utilizaria de um subterfúgio para dizer o que penso. Faria e faço sempre em meu nome.

A conta do Tobias, com milhares de seguidores, era administrada por um sócio que jamais conheci pessoalmente. No máximo trocamos um telefonema.

Quando passamos a viver a histeria ideológica, período em que o principal era saber quem era de direita ou de esquerda, o Tobias também passou a posicionar-se eleitoralmente. Fiz um apelo àqueles que utilizavam a conta, pedindo que parassem.

Fui atendido, pois sempre deixei claro que o futebol é uma coisa e a política partidária é outra.

Perdi o meu velho companheiro há aproximadamente dois meses e não poderei mais responder o que sempre afirmava quando me perguntavam se eu era muito brabo: “Sou como o Tobias; a cara é de brabo, mas o coração é enorme”.

PS - Desculpem o lado pessoal, mas é um sentido adeus. O meu neto João de cinco anos, definiu bem a situação: “Eu gostava do Tobias, porque ele gostava do vô”.


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