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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Futebol é coisa para atrevidos!



Globo Esporte

Imagem da Matéria

A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se tornou indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar só pelo prazer de jogar. Nestes tempos, o futebol profissional condena o que é inútil; e é inútil o que não é rentável.

Ninguém ganha nada com essa loucura que faz com que o homem seja menino por um momento, jogando como o menino que brinca com o balão de gás e como o gato brinca com o novelo de lã: bailarino que dança com uma bola leve como o balão que sobe ao ar e o novelo que roda, jogando sem saber que joga, sem motivo, sem relógio e sem juiz.

O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue.

A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.

Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o adversário do time inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade.

O texto acima é de Eduardo Galeano, no livro Futebol ao Sol e à Sombra.

Pois é. Volta e meia aparece um jogador atrevido. Volta e meia algum árbitro pune o drible. Como um árbitro, que o Brasil já esqueceu, que puniu o jogador Kerlon, do Cruzeiro (MG), que fez a jogada da foca, levando a bola com a cabeça, passando por vários adversários.

Volta e meia algum jogador coloca em maus lençóis árbitros que deixam o jogo correr frouxo.

Aposto que árbitros como Leandro Vuaden nunca leram Eduardo Galeano. Deveria fazê-lo. Para ver que jogo é “ludismo”. Futebol é ludopedismo. E que não é normal, não é do jogo, brutamontes racharem adversários.

Viva o jogador atrevido!

Para ver a jogada de Kerlon, que ganhou o apelido de “foquinha”, clique aqui.


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