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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Por que não há mais cobradores de faltas?



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Impressiona-me a falta de gols de falta. Batidas feias. Muito raro ver um belo gol de falta ou até uma defesa espetacular de um goleiro.

Vinha observando esse fenômeno de há muito. Poucos dias antes da paralisação geral do futebol, conversei muito com um treinador, dele cobrando: “Poxa, por que não treinam mais cobranças de faltas?

Antigamente havia excelentes cobradores. Decisivos. Agudos.

Quando eu jogava futebol (semi)profissional, ficávamos treinando após os treinos, já à noitinha. Lembram da barreira móvel, de madeira? Onde estão essas barreiras? Lembro das imagens e das reportagens sobre os jogadores que ficavam até o escurecer treinando cobrança de faltas.

Disse-me o treinador que os fisiologistas não recomendam. Repetição de esforço na mesma perna pode prejudicar. Hum, hum, respondi. Mas, antigamente também não prejudicava? Por que essa frescura de hoje?

Ou de fato não há treinamentos porque isso não interessa a ninguém. Proponho a volta de fortes treinamentos de cobranças de faltas. Prego a volta das barreiras de madeira. Quero ganhar jogos com gols de falta. Quero gols tipo Tadeu Ricci, Marcelinho, Rivelino, Nelinho e tantos bons cobradores.

Um jogador de golfe treina o dia todo tentando acertar o buraco. No vôlei treinam a cortada. No basquete treinam uma coisa óbvia: acertar a cesta.

Então por que no futebol não se treinam coisas óbvias como “acertar o gol”? Por cima de uma barreira?

Tiger Woods diz: “Engraçado, quanto mais eu treino, mais bem eu jogo”. Bingo! Fosse eu treinador, dedicaria 45 minutos no final do dia para treinamento de cobranças de faltas. Introduziria a barreira de madeira. Faria com que o adversário tremesse de medo a cada falta. Meio gol, como se dizia antigamente. Simples assim.

Espero que os fisiologistas, na sua ditadura cotidiana (por que poupamos jogadores aqui mais do que na Europa?) não impeçam de o Grêmio começar de imediato – quando da volta da crise do coronavirus - um duro treinamento de tentativas de acertar o gol.

Isso! Vamos fazer como faz a IVI e sua novilíngua. Vamos chamar cobranças de falta com outro nome: arremessos que ultrapassam um obstáculo humano, com o objetivo de ultrapassar o espaço formado por três traves, evitando que o “goalkepper” a intercepte o esférico. Binguíssimo.

Post scriptum: se me disserem que todos os dias há treinamentos desse tipo nos grandes times, então é porque, de fato, fracassamos. Não há mais talentos. Desaprendemos.

Mas, a minha tese é de que o que existe, mesmo, é falta de treinamento.


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