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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 14 de agosto de 2020.
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As demissões no Internacional



Foto Uol - Edição EV

Imagem da Matéria

A pandemia é uma situação nunca enfrentado pelas gerações que hoje dirigem as instituições brasileiras, sejam públicas ou privadas. Desde o início tenho dito que diante do vácuo normativo deve prevalecer na origem das providencias a solidariedade e a boa-fé.

Não são poucas as trapalhadas protagonizadas pelas autoridades públicas na definição de uma política geral, gerando a desorientação da população. Ora parece haver a priorização da saúde e da vida; e, em outros momentos e por outros, a da economia. Não faltou quem desse a isto contornos ideológicos.

Infelizmente não existem fórmulas mágicas e muito menos a possibilidade de acabar com as nefastas e imprevisíveis consequências por decreto, fazendo de conta que a precarização já antes existente - e agora agravada - também é obra de uma sucessão de incompetências e da corrupção estrutural.

Na quarta-feira (6) fomos surpreendidos com um fato: a despedida de aproximadamente 40 empregados do Internacional.

Como determina o cacoete comum na atualidade, explora-se o fato sob o sentimento meramente emocional e justiceiro. É reducionista e primário colocar o clube no banco dos réus em razão da iniciativa. A manifestação de alguns caracteriza-se em um posicionamento demagógico, populista e até mesmo eleitoreiro.

O Internacional é uma pessoa jurídica de direito privada, embora isso com as responsabilidades diretivas fortemente reguladas e punidas pela legislação aplicável. Há um pressuposto básico para a formação de um juízo de valor: conhecer os fatos em toda a sua abrangência. Duvido que aqueles que se posicionam por mero impulso os conheçam com a necessária profundidade.

É trágico o que ocorre com um trabalhador despedido, principalmente quando a perspectiva de um novo emprego torna-se tão rarefeita como o ar que falta aos doentes da Covid-19.

Há empresas que representam o investimento de uma vida e que também fecharam ou fecharão as portas. Nenhum de nós, nem nos pesadelos mais assustadores, poderia imaginar que em 45 dias o mundo iria ruir.

Sou solidário aos empregados despedidos, mas não tenho com alterar a tragédia que assola o mundo. Há aspectos correlatos que têm sido apontados: a escolha pelo Internacional daqueles que perderam os empregos e a forma utilizada, como no caso do ex-atleta Índio.

Quanto a isso, com a palavra a direção do Inter.

Houve de fato uma opção pelos trabalhadores de menor ganho salarial? No caso do Índio, o fato poderia ter sido precedido de uma reunião prévia com a mais alta direção. E não apenas com um telefonema tendo como interlocutor um dirigente secundário... Embora a natureza privada do clube, há pela sua importância a necessidade de prestar contas, com transparência e consciência do seu papel didático.

Meu reconhecimento ao bravo Índio que em sua carreira no Internacional muitas alegrias nos trouxe. Um zagueiro e tanto, inclusive “fazedor” de gols. Se há injustiça ou inadequação ainda há tempo para reparação.

O Internacional tem um histórico negativo com seus ídolos.


A PALAVRA DO LEITOR

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