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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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O automóvel da “potranca” da esquina



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Carlos Alberto Bencke, advogado (OAB-RS nº 7.968)

O comportado líder cooperativista, pai de família respeitado e dinheiro sobrando na conta bancária, engraça-se - na média cidade - por uma comerciante local, premiada por Deus em termos físicos. Ele da dita “melhor idade”, mas que já passou da meia-noite; ela, dizem, anda pelas quatro, ou quatro e meia da manhã... - se me entendem.

O romance adúltero segue firme à margem do casamento dele com uma respeitável senhora, mãe dos seus quatro filhos.

Depois de vários regalos caríssimos à amásia e algumas viagens internacionais “a negócios”, o provecto e experiente enamorado vai além. E, justo no dia do aniversário dela, em uma revenda de veículos, conclui entusiasmado a negociação de um dos mais caros automóveis para presentear a dita cuja.

Elabora então um romântico cartão, cola bem o envelope e determina ao gerente a entrega do mimo motorizado no endereço “tal”.

O motorista e um vendedor da revenda são encarregados da entrega natalícia, mas não encontram a afortunada destinatária. Na casa, a serviçal não sabe informar a que horas ela retornaria.

Diligentemente, os dois vão ao endereço do rico comprador para saber, então, como entregar o presente. Mas quem os atende é a senhora dona da casa. Sem entender nada da conversa, ela vai direto no envelope do aquinhoado cartão, abre-o e, toooing, já dá para imaginar o desfecho.

Dez dias depois realiza-se a audiência protocolar de tentativa de conciliação na Vara de Família. O juiz faz a pergunta de praxe:

- O casal deseja mesmo divorciar-se?

A mulher toma a frente:

- Doutor, não tem volta. Esse velho garanhão, que está aí no outro lado da mesa, nunca me deu um presente na vida e agora virou rabo de saia da potranca da loja da esquina, e foi logo dando um caríssimo automóvel para ela. Quero o divórcio e a metade do patrimônio.

O divórcio é concedido, a partilha é acertada um mês depois. O fogoso, ardente e arrebato senhor candidata-se à bela comerciante quarentona, mas por ela é descartado “para aprender a não ser tão descuidado”.

Melancólico e sozinho pela cidade, ele conforta-se em dirigir o caríssimo automóvel que nunca chegou a ser propriedade da dita “potranca da esquina”.


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