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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Devo respeitar sempre a “tua opinião” ? Por uma epistemologia no futebol!



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Calma! Não quero complicar a vida de ninguém. Na semana passada falei, neste J. A. , que os repórteres esportivos faziam isomorfia ao explicarem as metáforas, “colando” palavras e coisas. Quem não leu, ou quer reler, clique aqui.

Fiz o primeiro (acho que não teve a segunda edição) curso de comentarista de futebol, sob a batuta do grande Ruy Carlos Ostermann. Lá nos anos 95-96. Tive a honra de ser escolhido orador da turma de formandos.

Ao discurso que fiz, dei o título de “Por uma Epistemologia do Futebol”, em homenagem ao professor Ruy. Lembro que o Armindo Antonio Ranzolin comentou ao final: “Discurso difícil, porém bonito”. Até brinquei com ele e acrescentei: “Difícil e bonito”.

Sigo. Por que esse nome difícil “epistemologia”? Bom, epistemologia quer dizer mais ou menos que devemos investigar e explicar as condições pelas quais um determinado discurso está sendo realizado. Enfim, é a busca dos fundamentos. Explicação da explicação, por assim dizer. Buscar a validade do que é dito.

Por isso, falei que o futebol necessitava de epistemologia. Porque não se pode jogar palavras ao vento. Cada discurso, cada fala, cada alocução deve ter um fundamento. Ou uma justificativa.

Portanto, não basta dizer, no rádio ou tevê: “Esta é a minha opinião. Tenho o direito de tê-la”. Necessariamente esse discurso pode carecer de uma boa epistemologia. A charge no topo desta página pode ajudar.

A metafórica charge acima mostra os males do niilismo discursivo. Uma opinião não substitui um fato. Claro que fatos não existem por si só. Sempre são interpretáveis. Mas há limites.

Por exemplo: é possível discutir se o jogador foi derrubado em cima da linha e ou os centímetros ultrapassados na área. Mas ninguém poderá negar o fato de que um jogador caiu.

Sendo mais claro: carece de uma boa epistemologia ficar dizendo “esse é um lance de interpretação” e que “o árbitro tem esse poder discricionário”. Com os recursos tecnológicos, diminuiu a quase zero esse arbítrio hermenêutico.

Ajudando mais ainda: você pode ler Dom Casmurro e discutir dias e dias se Capitu traiu, ou não traiu, Bentinho. Agora, você não pode vir a dizer que Capitu era um travesti. Aí seria superinterpretação. Vedada. No Direito. E no futebol.

Portanto, de quando em vez, aqui chamarei à mesa o tema da necessidade de uma epistemologia. Para evitar o relativismo. Para que possamos censurar os que dizem “mas essa é a minha opinião”.... quando, epistemologicamente, a tal “opinião” é uma fraude.

Post scriptum: recomendo o Podcast “Papo Gremista”, do Leo Carrion. Ótimo. Aproveito para deixar aqui o link com a entrevista que Leo fez comigo.

Recortem e, oportunamente, colem no browser do computador, notebook, ou smartphone.

https://www.spreaker.com/user/gringovelho/papo-gremista-com-lenio-streck-parte-1


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