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Porto Alegre (RS),sexta-feira, 29 de maio de 2020.
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Atenção aos leitores



Arte EV

Imagem da Matéria

Nesta edição, Escreva Direito vai esclarecer pertinentes questões levantadas por dois ilustres leitores: o jornalista Joabel Pereira e o advogado Celso Tadeu Noschang. O primeiro quer minha opinião sobre o uso de “a princípio” e “em princípio”, além de questionar o real significado de “bairro”. Noschang pede para esclarecer sobre a norma que rege o uso, ou não, de vírgula antes de “etc.”.

Vírgula antes de “etc.”

Observando que uso vírgula antes da abreviatura “etc.”, o atento Dr. Noschang quer saber que norma eu sigo, já que é a forma abreviada do latim “et caetera”, que contém “e”, aditivo que substitui a vírgula, no que tem razão o leitor. Portanto, por essa lógica, não há necessidade de vírgula. No entanto, a abreviatura da expressão latina consagrou-se a ponto de não parecer abreviatura, mas uma sigla. Tanto é verdade que ninguém usa a forma por extenso, não abreviada, razão por que os gramáticos em geral admitem seu uso. Não se deve esquecer que as línguas se fazem pelo uso. Resumindo, as duas formas são consideradas corretas. O erro passa a existir, por incoerência, quando num mesmo texto se usam as duas.
A propósito de “et caetera”, diz Noschang em sua mensagem, que a expressão significa “e outras coisas”, sendo inadequado, portanto, usar “etc.” em relação a pessoas; por exemplo, em frases como esta: “Os juristas Fulano e Sicrano, etc. já se manifestaram a respeito”, pois magistrados não são coisas...

A princípio / Em princípio

Tem razão o jornalista Joabel Pereira: as pessoas, em regra, usam as duas expressões como se fossem sinônimas, quando, na verdade, têm sentidos diferentes. Enquanto “em princípio” tem o mesmo significado de “em tese” – esta substituindo aquela com vantagem –, “a princípio” significa para iniciar, para principiar.
Não é a mesma situação das expressões “em nível de” e “a nível de”, que são usadas como sinônimas. Aproveito para esclarecer que a única forma correta das duas é “em nível de”, por se referir a situações estáticas, com o sentido de “no”. Por exemplo, por que “em nível de Brasil”, se posso simplificar para “no Brasil”?

Bairro Centro / Bairros centrais

Joabel tem razão novamente: se é centro, não é bairro; os sentidos se opõem. Portanto, basta usar “centro”.
Não é o mesmo caso de “bairros centrais”, desde que se use esta expressão para diferenciar os bairros próximos do centro daqueles mais distantes. Sempre é bom lembrar que as línguas não são ciências exatas, ou seja, nem sempre se utilizam de soluções lógicas; muitas vezes, o significado das palavras vai se adaptando a novas situações. Claro que há limites, estes definidos sempre pelos usuários.


A PALAVRA DO LEITOR

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