Ir para o conteúdo principal

Porto Alegre (RS), terça-feira, 11 de agosto de 2020. Dia do Advogado.
https://espacovital.com.br/images/201811081626490.jpg

Internacional x Estudiantes - 2010



Arte EV sobre fotos Camera Press (E) e Record PT (D)

Imagem da Matéria

Recebi um vídeo com uma entrevista recente do Jorge Fossati, treinador do Internacional na campanha do bi da Libertadores de 2010. Um grande sujeito!

Repetiu a cogitação que já havia me confidenciado: que a sua inesperada demissão, em plena campanha vitoriosa, poderia ter sido fruto de uma espécie de conspiração por parte dos treinadores brasileiros. Reserva de mercado.

Em meio as ponderações e recordações, vem à baila a partida contra o Estudiantes (13.05.2010), o que me iluminou a memória permitindo recordar com detalhes as circunstâncias daquela disputa.

Havíamos vencido os argentinos no Beira-Rio, por 1 X 0 e passar novamente pelo Estudiantes nos levaria às quartas de finais.

Chegamos em Buenos Aires acompanhados da apreensão e do nervosismo, próprios a um confronto difícil. Eu tinha me criado ouvindo que o pior dos times argentinos representa sempre um enorme perigo, especialmente quando jogando em casa. É incrível, mas para o dirigente, ao menos os sérios, tanto faz os atrativos da cidade do jogo.

Cercado pela ansiedade, não tive a mínima vontade de sair do hotel. Confinado no quarto, indo no máximo até o saguão, a impressão era de que o tempo se arrastava até o momento do jogo.

Buenos Aires continuava sendo a mesma. Tenho uma memória olfativa que associa cheiros a locais, na oportunidade nem isso funcionou, embora a capital portenha possua para mim um cheiro característico. Naquela ocasião, diante do nervosismo, nada despertava o meu desejo, nem mesmo de caminhar pelas ruas da encantadora Recoleta.

O jogo foi em Quilmes, na Grande Buenos Aires, uma cidade de indústrias e de trabalhadores. O ônibus que conduziu a delegação estacionou ao lado do acesso ao local para nós reservado. Providencialmente cabines separadas do setor de cadeiras, separado por uma abertura guarnecida por um vidro.

Foi um jogo difícil e repleto de incidentes. Houve briga, soco no goleiro Lauro que estava no banco, discussão e o placar alargado, com dois gols em favor do adversário. Os torcedores estavam enlouquecidos. O Inter daria adeus à Libertadores, após uma caminhada de muita luta.

É difícil conter a emoção perante a enorme frustração que me dominava. Saí da cabine, esta cercada de policiais, passando por eles que, àquela altura, riam. Empurrei uma roleta indo sozinho para o interior do ônibus.

Faltavam quatro minutos para o fim da partida. O estádio estava tomado pela fumaça dos sinalizadores que comemoravam a eliminação do Internacional. Era uma noite sem vento e a bruma produzida permaneceu no gramado.

Inesperadamente uma gritaria dos torcedores. Imaginei que seria o terceiro gol do Estudiantes. Estico o olhar e vejo um colorado bradando, pulando e chorando.

Saio do ônibus, passo correndo pelos policiais gritando “elogios” e, outra vez atropelo a pobre catraca. Ao ingressar na cabine, abraços, choro e gritaria.

Em segundos o pessoal que estava nas cadeiras, olha para onde estávamos, avança como uma onda e passam a soquear o vidro. Ele suportou bravamente a situação. Se estourasse seria trágico para todos. Conto isso pois acredito que muito daquela campanha, repleta de lances de superação, deveu-se a tenacidade e combatividade do professor Fossati.

O Giuliano, o herói do jogo, aquele que não perdoou na fumaça, marcou um gol histórico.

Obrigado professor Fossati! Obrigado Giuliano, predestinado que entrou no time ao final do jogo para definir o avanço do Inter naquela Libertadores.

Dez anos de um grande passo.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

Mais artigos do autor

Imagens: Freepik - Montagem: Gerson Kauer

Do Supremo à Justiça Desportiva

 

Do Supremo à Justiça Desportiva

O caso do advogado que já trabalhou para o Inter e liberou D´Alessandro (que estava suspenso por dois jogos) para que disputasse o Gre-Nal. “O questionado diz com o apontado necessário impedimento ou suspeição do julgador quando a matéria possuir ligação com o clube do seu coração”.

Google Imagens - Arte EV

Porto Alegre é que tem...

 

Porto Alegre é que tem...

“No finzinho do domingo começou o Gre-Nal. Eduardo Coudet se diz motivado, desejando ganhar pela primeira vez o clássico. E Renato Gaúcho - em uma entrevista repleta de chiados e erres esticados - se disse motivado pelo desafio de manter a supremacia. Entrementes que tal recordar, na voz de Isabela Fogaça, a bela canção Porto Alegre é Demais?”

O campeão será aquele que melhor driblar a crise

“Foi necessária a mudança do mundo, alterando o normal, para estabelecer uma outra medida. Todos os clubes gaúchos estão com enormes dificuldades e talvez as dos ditos pequenos sejam muito menos graves que a da dupla Gre-Nal”. 

Barcelona x Mazembe

“Soube que o presidente colorado da época atribuiu a derrota do Inter, quando da segunda participação colorada em mundial Fifa, à ´falta de foco´. Mas o inacreditável resultado da partida contra o time do Congo foi o reflexo de um clube destroçado em suas entranhas, com total inversão de prioridades”.