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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Racismo no Conselho do Internacional ?



Como muitos testemunhei, principalmente no interior do RS, cartazes fixados em bares anunciando a realização de “baile dos morenos” no clube da cidade, geralmente aos domingos. Verdadeiro absurdo segregacionista.

Aqui em Porto Alegre havia a Sociedade Floresta Aurora, um clube social destinado exclusivamente aos afrodescendentes.

Escutei de um sociólogo durante um seminário, a afirmação de que no Brasil a discriminação nada tinha de racial, mas de disputa econômica, envolvendo a mais valia com origem em uma das piores páginas da humanidade, a escravatura.

O Sport Club Internacional orgulha-se da sua origem, marcada pela fusão com um grupo de jogadores negros. Este fato seria reativo a outros clubes da prática do futebol em Porto Alegre, caracterizados por não contarem em seus quadros com esportistas afrodescendentes.

Na realidade, todos esses clubes reuniam a elite econômica da cidade que, pelos nefastos efeitos da escravidão, excluíam da sua composição os negros que, como resultado pertenciam a classe operária, desempenhando trabalhos menos considerados.

Com o passar do tempo e com o crescimento da população negra, hoje temos um país cuja população é predominante negra.

Não é por acaso a mudança que presenciamos. Os anúncios que promovem produtos, ao contrário daquilo exibido por décadas, incluem homens, mulheres e crianças negras.

A base da mudança, embora de natureza material - pois são brasileiros que representam um expressivo potencial de consumo – é importante.

A minha mãe era uma mulher especial, fora do seu tempo. Lembro da tarde quando chegou na minha casa com um presente para a minha filha. A princípio mais uma boneca. Entusiasmada a Natália abre o pacote e lá estava a sua primeira boneca de cor negra (marrom). Tenho a certeza que isso auxiliou na sua formação.

Bem, na rumorosa reunião virtual do Conselho Deliberativo do Internacional que decidiu acerca do recurso que invocava a prescrição do direito de punir Píffero e Afatato, o conselheiro Emílio Papaleo, colorado de profundo conhecimento jurídico, interveio sustentando consistentemente acerca da interrupção do prazo extintivo.

Ao final, apelou aos “eletronicamente presentes” para que não acolhessem as razões recursais, pois era preciso sepultar de vez o período Píffero, página negra (obscura, sem luz), na história do Internacional.

Desatinado um outro conselheiro, cuja história no clube desconheço, emitiu nas redes sociais uma nota repleta de adjetivos, imputando ao Papaleo a condição de preconceituoso. A confusão teórica revelada no texto é assustadoramente rancorosa. Afirma que a expressão negro foi utilizada pejorativamente, eis que relacionado a “raça negra”.

Já faz algum tempo que tanto pela sociologia como pela biologia, o conceito racial que decorre de características físicas foi abandonado. Pertencemos todos à RAÇA HUMANA e a classificação a partir de caracteres específicos somente serviu para fundamentar o nazismo.

A inteligência que é característica da RAÇA HUMANA, não pode ser embotada pela manipulação. Negro ou negra, é utilizado em textos - literatura - indicando uma situação obscura, sem luz despida de qualquer preconceito ou ataque racial. Ninguém, por mais populista que seja, pode acusar a ciência de preconceituosa ou racista.

Teriam os astrônomos escolhido a designação BURACO NEGRO, como forma de, pejorativamente, designar um fenômeno da natureza? Quem sabe o Fogaça, o Kleiton ou o Kledir, com o Vento Negro? Quem sabe os russos com “ochi chyornie” (olhos negros, canção cigana?

No arremate, lembro: “A virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que o talhe da palmeira”. (José de Alencar, que em 1865, com o pseudônimo de Erasmo, em Cartas ao Imperador, defendia a absolvição da escravatura).


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