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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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O grande líder dos astecas



Imagem: Aventurasnahistoria.uol.com.br

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Reza uma lenda muito pouco conhecida que, há praticamente 500 anos, as maiores lideranças do Império Asteca se reuniram para eleger um novo Imperador. O líder anterior havia permanecido por tempo demais no poder, e havia uma insatisfação generalizada com o estado das coisas.

O novo Imperador precisava ser quase que uma antítese de seu antecessor, e Montezuma era a escolha lógica. Àquele tempo, com o avanço das grandes navegações, os astecas eram constantemente confrontados por novos desafios. E Montezuma era conhecido pelas críticas ácidas e até inconsequentes que desferia contra os governantes, o que lhe rendia grande popularidade junto àquela sociedade bárbara e primitiva.

Montezuma foi então chamado pelos sábios do povo asteca para ser sabatinado:

- Como o senhor pretende lidar com as epidemias de doenças trazidas pelos colonizadores brancos para as quais nós, nativos, ainda não temos anticorpos? – indagou um dos anciãos.

E Montezuma respondeu:

- Com sacrifícios humanos, obviamente!

- Mas como os sacrifícios poderiam ajudar com a pandemia? – questionou um dos presentes.

- Os sacrifícios não vão nos ajudar em nada com a doença, mas vão nos ajudar a obter o clima favorável para as lavouras. Os doentes vão morrer de qualquer forma, então por que descuidar da colheita, não é? – respondeu o potencial líder.

- Mas perdendo tantas pessoas com as doenças e sacrificando outras tantas, vamos ter gente suficiente para enfrentar a invasão dos europeus? – alguém perguntou.

Montezuma abriu um sorriso irônico, antes de responder:

- Mas nós não vamos enfrentar os estrangeiros. Ao contrário, vamos dar o nosso ouro para eles.

E ante a incredulidade do conselho, o sabatinado prosseguiu:

- Pessoal, reparem nas armaduras reluzentes do homem branco. Eles são uma raça superior. Quase deuses! E vejam aquelas armas de fogo! Eu adoro armas de fogo! Se ganharmos a confiança deles, com certeza conviverão pacificamente conosco e talvez até compartilhemos de sua tecnologia.

De fato, a ideia de não entrar em guerra com os invasores era bastante sedutora aos astecas, pois ninguém desejava uma carnificina e o arsenal dos estrangeiros era muito mais avançado que o dos nativos.

Ainda assim, um representante da elite preocupada em perder as suas regalias com a colonização, indagou:

- Mas há espaço para convivermos com os estrangeiros, sem que eles tomem nossas terras e propriedades?

- Área para eles colonizarem é o que não falta. É só queimarmos esse monte de florestas que não servem para nada! - afirma, convicto, o entrevistado.

E diante dessas prontas respostas, Montezuma é conduzido ao poder.

Empolgado com o novo líder, um dos anciãos daquele povo desabafa:

- Agora estou certo de que colocamos o Império no rumo certo. Imagino o quão prósperos seremos daqui a uns 500 anos...


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